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A juventude do Evangelho

· No próximo sínodo ·

O tema do próximo sínodo é «Os jovens, a fé e o discernimento vocacional». A escolha do Papa nasce da escuta dos pastores da Igreja, através de fases sucessivas, em continuidade com a experiência das duas assembleias sobre a família e com a exortação apostólica «Amoris laetitia». Portanto, o objetivo da convocação sinodal é «acompanhar os jovens no seu caminho existencial rumo à maturidade a fim de que, através de um processo de discernimento, possam descobrir o seu projeto de vida e realizá-lo com alegria».

Na exortação, acompanhamento e discernimento são as palavras-chave que evocam a perspetiva com a qual a Igreja se dirige a todas as famílias, no horizonte do cuidado pastoral. O pressuposto é o acolhimento, o êxito é a integração na vida eclesial e na sociedade. De facto, não se trata de um percurso reservado a alguns: todos têm o direito de receber a palavra do Evangelho, e de responder com consciência e liberdade. Do mesmo modo, com o novo tema sinodal tenciona-se promover a participação dos jovens na vida das comunidades cristãs e um seu maior envolvimento nos processos de construção da sociedade.

Os jovens têm o futuro à sua frente, esperam de o poder construir, de alcançar o melhor para a própria vida. O desejo de se realizar plenamente, a coragem de empreender sendas desconhecidas, de arriscar novos caminhos pertencem naturalmente à juventude, em todos os contextos culturais e religiosos. Por esta razão, a Igreja sinodal põe-se a caminho para encontrar os jovens, nas suas situações existenciais concretas, ouvir a sua voz, as suas dificuldades, os seus desejos, as suas expectativas, mesmo quando a sua fé é vacilante ou ausente.

O primeiro passo dos pastores é, por conseguinte, ficar atrás, a fim de seguir o impulso generoso, ainda que incerto, das jovens gerações. Poderão seguir o acompanhamento ao longo dos caminhos tortuosos da busca, através do confronto, do diálogo, do paciente discernimento. Enfim, será possível indicar aos jovens a direção, estar ao seu lado para os apoiar nos momentos de dificuldade. Desta forma, juntamente com os jovens, a Igreja aprende, dialoga, ensina.

A Igreja sente assim a urgência de atravessar com as jovens gerações as sendas da história, com o Evangelho nas mãos e a sua exigente carga de coerência e de compromisso para com os mais débeis e marginalizados. A fim de que os jovens possam preparar-se para escolhas significativas e construir um projeto de vida que leve à plena realização de si mesmos, é necessário oferecer-lhes instrumentos que os possam tornar capazes de viver concretamente os seus sonhos. Os jovens são sonhadores: isto torna-os particularmente queridos ao olhar de Deus. Sobretudo a eles é dirigida a pergunta do Papa, formulada a 16 de março de 2015 durante a missa em Santa Marta: «Nunca chegastes a pensar: será que o Senhor me sonha? Pensa em mim? Estou na mente, no coração do Senhor? O Senhor é capaz de mudar a minha vida?». Quando um jovem experimenta a alegria do encontro com Jesus, e tem a graça de ser tocados por estas perguntas, no seu coração pode abrir-se também o horizonte da vocação ao sacerdócio e à vida consagrada.

Portanto, a atenção principal deve ser dirigida ao discernimento. É necessário ter em mente o que se tenciona dizer com o termo, quais elementos o constituem e como pode ser desenvolvido este processo. Diz respeito aos jovens, aos quais deve ser mostrada a importância relativamente às escolhas a serem feitas, escolhas que visem o seu verdadeiro bem e lhes permita viver com alegria. Diz respeito também a quem os acompanha (pais, pastores, educadores) aos quais é preciso oferecer instrumentos adequados.

Narram os Evangelhos que os jovens sempre encontraram um mestre disposto a ouvi-los: o Senhor Jesus. Pouco mais velho do que eles, chamou-os amigos, manteve-os consigo acolhendo as suas fragilidades sem paternalismo, mostrando-lhes o coração do Pai. Sabiam que era o Senhor, mas só depois da morte na cruz encontraram no Espírito a força para se tornarem testemunhas da sua ressurreição. Gratos ao Papa por ter escolhido convocar esta nova assembleia, somos chamados a refletir com alegria sobre o tema, para redescobrir a juventude do Evangelho.

Lorenzo Baldisseri

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20 de Setembro de 2019

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