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Justiça e perdão pilares da paz

· Discurso do Papa ao novo embaixador da ex-República Jugoslava da Macedónia ·

Bento XVI deseja que o país comece a fazer parte da Europa unida

Na manhã de 22 de Abril, Bento XVI recebeu em  solene audiência Sua Excelência o senhor Gjoko Gjorgjevski, novo embaixador extraordinário e plenipotenciário da ex-República Jugoslava da Macedónia junto da Santa Sé. Depois da homenagem que lhe foi prestada no pátio de São Dâmaso pelo piquete de honra da Pontifícia Guarda Suíça, o ilustre diplomata e o séquito foram acompanhados à Sala Clementina,  onde foi acolhido pelo   prefeito da Casa Pontifícia, D. James Michael Harvey, que introduziu o senhor embaixador na presença do Sumo Pontífice  na Biblioteca particular, onde tiveram lugar o diálogo privado e a troca dos discursos. Estas foram as palavras do Santo Padre.

Senhor Embaixador!

Estou feliz por receber Vossa Excelência para a apresentação das Cartas Credenciais como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da ex-República Jugoslava da Macedónia junto da Santa Sé. Estou-lhe grato pelas cordiais expressões que desejou dirigir-me, também em nome das Autoridades e da nobre Nação que Vossa Excelência representa. Peço-lhe que lhes transmita a expressão da minha estima e da minha benevolência, unidas à certeza da minha prece pela concórdia e pelo desenvolvimento  harmonioso de todo o país.

Ao recebê-lo, dirijo o meu pensamento ao encontro anual entre o Sucessor de Pedro e uma autorizada delegação oficial do seu país, que se realiza por ocasião da festa dos Santos Cirilo e Metódio, venerados guias espirituais dos povos eslavos e co-Padroeiros da Europa. Este encontro, que já se tornou uma agradável tradição, confirma  os bons relacionamentos  existentes entre a Santa Sé e a ex-República Jugoslava da Macedónia. Trata-se de relações bilaterais que se desenvolveram, principalmente nos últimos anos, de modo positivo e são caracterizadas por uma cooperação cordial. A este propósito, desejo manifestar o meu apreço pelo compromisso mútuo envidado na recente construção de novos edifícios de culto católicos em vários lugares do país.

Como Vossa Excelência salientou, no povo macedónio são bem visíveis os sinais dos valores humanos e cristãos, encarnados na vida da população, que constituem o estimado património espiritual e cultural da Nação, de que são igualmente testemunho os maravilhosos monumentos religiosos, construídos em diversas épocas e localidades, sobretudo na cidade de Ohrid. A Santa Sé olha para esta herança preciosa com grande estima e consideração favorecendo, na medida da sua competência, o seu aprofundamento histórico-documentário, para um maior conhecimento do passado religioso e cultural. Inspirando-se neste património, os cidadãos do seu país continuarão a construir também no futuro a sua própria história e, fortalecidos pela sua identidade espiritual, poderão oferecer ao consórcio dos povos europeus, a contribuição da sua experiência. Por isso, desejo ardentemente que obtenham bom êxito as aspirações e os esforços crescentes deste país para fazer parte da Europa unida, numa  condição  de  aceitação  dos relativos direitos e deveres e no respeito recíproco pelas instâncias colectivas e pelos valores tradicionais de cada um dos povos.

Senhor Embaixador, nas palavras que Vossa Excelência pronunciou acerca do compromisso do povo macedónio em vista de favorecer cada vez mais o diálogo e a convivência entre as várias realidades étnicas e religiosas que constituem o país, senti aquela aspiração universal à justiça e à coesão interna que, desde sempre, o anima e que pode tornar-se um exemplo para outros na região dos Balcãs. Com efeito, os pontos de intercâmbio de entendimentos mais vastos e relações religiosas mais estreitas entre os diversos componentes da sociedade macedónia favoreceram a criação de um clima em que as pessoas se reconhecem irmãos, filhos do mesmo Deus e cidadãos do único país. Sem dúvida, em primeiro lugar é tarefa dos responsáveis das Instituições, encontrar modalidades para traduzir em iniciativas políticas as aspirações dos homens e das mulheres ao diálogo e à paz. Todavia, os crentes sabem que a paz não é unicamente fruto de planificações e de actividades humanas, mas sobretudo dádiva de Deus aos homens de boa vontade. De resto, a justiça e o perdão representam pilares basilares desta paz. A justiça assegura um pleno respeito pelos direitos e deveres, e o perdão cura e reconstrói a partir dos fundamentos as relações entre as pessoas que ainda ressentem das consequências dos desencontros entre as ideologias do passado recente.

Tendo superado o trágico período da última guerra mundial, depois da triste experiência de um totalitarismo negador dos direitos fundamentais da pessoa humana, o Povo macedónio está encaminhado para um progresso harmonioso, dando provas de paciência, disponibilidade para o sacrifício e o optimismo perseverante, tenazmente orientado para a criação de um porvir melhor para todos os seus habitantes. Um desenvolvimento social e económico estável não pode deixar de ter em consideração as exigências culturais, sociais e espirituais das pessoas, e deve outrossim valorizar as tradições e os recursos populares mais nobres. E isto com a consciência de que o fenómeno crescente da globalização, que comporta por um lado um determinado nivelamento das diversidades sociais e económicas, poderia por outro lado agravar o desequilíbrio entre quantos obtêm vantagem das possibilidades sempre maiores de produzir riquezas e quantos, ao contrário, são deixados às margens do progresso.

Senhor Embaixador, o seu país orgulha-se de uma tradição cristã longa e luminosa, que remonta aos tempos apostólicos. Formulo votos a fim de que, num contexto global de relativismo moral e de escasso interesse pela experiência religiosa, em que muitas vezes se move uma parte da sociedade europeia, os cidadãos do nobre Povo representado por Vossa Excelência saibam realizar um discernimento sábio, abrindo-se aos novos horizontes de autêntica civilização e de verdadeiro humanismo. Para fazer isto, é necessário manter vivos e firmes, nos planos pessoal e comunitário, aqueles princípios que se encontram também na base da civilização deste Povo: o apego à família, a defesa da vida humana, a promoção das exigências religiosas, especialmente dos jovens. Não obstante constitua uma minoria, a Igreja católica na sua Nação deseja oferecer a sua contribuição sincera para a construção de uma sociedade mais justa e solidária, alicerçada nos valores cristãos que fecundaram as consciências dos seus habitantes. Estou persuadido de que a comunidade católica, na consciência de que a caridade na verdade «é a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira» ( Caritas in veritate, 1), dará continuidade à sua missão caritativa, especialmente a favor dos pobres e dos sofredores, tão apreciada no seu país.

Estou convicto de que também Vossa Excelência, no cumprimento da exímia tarefa que lhe foi confiada, contribuirá para intensificar as já boas relações existentes entre a Santa Sé e a Nação macedónia, e asseguro-lhe que para esta finalidade Vossa Excelência poderá contar com a plena disponibilidade de todos os meus colaboradores da Cúria romana. Com estes votos fervorosos, invoco a abundância das Bênçãos divinas sobre o Senhor Embaixador, a sua família, os governantes e todos os habitantes da Nação representada por Vossa Excelência.

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16 de Setembro de 2019

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