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Inverter a estatística

Há anos, mas nem sequer muitos, ver uma irmã subir à cátedra para dar lições de teologia ou filosofia num seminário a futuros sacerdotes, era um acontecimento estatístico quase irreal. Inseria-se numa casualidade remota. Não exactamente ficção científica, mas contudo aproximava-se bastante dela, um acontecimento altamente improvável, considerando o quadro cultural geral e a escassa propensão das autoridades eclesiásticas a abrir às professoras os lugares de formação de excelência. Naturalmente, o espírito conciliar soprou também nesta direcção e o tempo trabalhou para fazer emergir os méritos de tantas professoras e assim, no silêncio, longe dos reflectores, os exemplos aumentaram em número, aqui e ali, em diversas dioceses do mundo, sem ser um fenómeno codificado, nem particularmente encorajado pela hierarquia do Vaticano.

Com efeito, a vereda para chegar a um justo equilíbrio dentro da Igreja é longa. As religiosas, mesmo sendo a maioria, confrontam-se com um poder masculino que ainda tem dificuldade de lhes reconhecer um papel. Ainda se delega às mulheres demasiado pouco em termos de gestão, governo e administração. E em termos de presença nos seminários como professoras.

Uma das primeiras professoras num seminário foi Sara Butler (que «mulheres igreja mundo» entrevistou em Março de 2013): «Aconteceu um pouco por acaso. Fui convidada a ensinar porque havia um lugar vacante no Mundelein Seminary, em Illinois. Agora já são vinte anos que ensino teologia aos homens que se preparam para o sacerdócio. Ensinei também no seminário da diocese de Nova Iorque. Descobri que até o seminário tem uma dimensão importantíssima. Um enriquecimento para todos».

Para os futuros sacerdotes ter uma mulher como professora, além da didáctica, significa ter um modelo diferente de referência, e induz a uma natural aceitação da igualdade. «Com efeito, penso que ajuda os futuros sacerdotes a conhecer as mulheres e a relacionar-se com elas. Eu – diz Butler – com os meus estudantes tive sempre relações proveitosas e construtivas. O meu balanço é positivo».

Dos Estados Unidos às Filipinas: em Manila o cardeal Tagle confiou a uma irmã, Nimfa Ebora das Pias Discípulas do Divino Mestre (na foto à esquerda), o cargo de formar os sacerdotes sobre o tema da Sagrada Escritura. «Antes de entrar na vida religiosa eu ensinava numa escola primária. Não pensava continuar esta profissão como religiosa. Depois do noviciado, a Congregação mandou-me estudar teologia. Formei-me e depois fiz um mestrado em Sagrada Escritura. Durante dois semestres ensinei numa das universidades católicas de Cebu, nas Filipinas. Em 2010, fui enviada a aprofundar os estudos em Jerusalém, junto dos padres franciscanos do Studium Biblicum. Lá obtive a licença em Ciências bíblicas e Arqueologia. Tendo regressado às Filipinas destinaram-me ao ensino nos seminários».

A irmã Nimfa conta que nas Filipinas não surpreende ver mulheres professoras. «É considerado um enriquecimento para os seminaristas porque não só podem confrontar-se com uma figura feminina, mas a mesma figura feminina lhes oferece uma completação formativa. Podem obter perspectivas teológicas por parte das mulheres. Entre outras coisas, a classe, por vezes não é composta apenas por seminaristas, mas também dpelas irmãs e leigas que frequentam os mesmos estudos teológicos. Na classe não é raro que diversos temas teológicos sejam debatidos com a complementaridade dos pontos de vista masculino e feminino. É um enriquecimento recíproco». Deste modo, explica a religiosa, a Igreja mostra que a evangelização está deveras confiada a todos, homens e mulheres.

Franca Giansoldati

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19 de Agosto de 2019

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