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Intransigentes com o pecado indulgentes com as pessoas

· No Angelus Bento XVI recorda que a justiça maior é a do amor ·

«Aprendamos a ser  intransigentes com o pecado – a partir do nosso! – e indulgentes com as pessoas». Recomendou o Papa no Angelus de domingo 21 de Março, na Praça de São Pedro, recordando que Jesus ensina «a não julgar e a não condenar o próximo».

Queridos irmãos e irmãs!

Chegamos ao Quinto Domingo da Quaresma, no qual a liturgia nos propõe, este ano, o episódio evangélico de Jesus que salva uma mulher adúltera da condenação à morte (Jo 8, 1-11). Enquanto está a ensinar no Templo, os escribas e os fariseus conduzem a Jesus uma mulher surpreendida em adultério, para a qual a lei moisaica previa a lapidação. Aqueles homens pedem a Jesus que julguem a pecadora com a finalidade de «o pôr à prova» e de o levar a dar um passo falso. A cena é cheia de dramaticidade: das palavras de Jesus depende a vida daquela pessoa, mas também a sua própria vida. De facto, os acusadores hipócritas fingem confiar-lhe o julgamento, enquanto na realidade é precisamente Ele quem querem acusar e julgar. Ao contrário, Jesus está «cheio de graça e de verdade» (Jo 1, 14): Ele sabe o que está no coração de cada homem, deseja condenar o pecado, mas salvar o pecador, e desmascarar a hipocrisia. O evangelista São João dá realce a um pormenor: enquanto os acusadores o interrogam com insistência, Jesus inclina-se e põe-se a escrever com o dedo no chão. Observa Santo Agostinho que aquele gesto mostra Cristo como o legislador divino: de facto, Deus escreveu a lei com o seu dedo nas tábuas de pedra (cf. Comentário ao Evangelho de João , 33, 5). Portanto Jesus é o Legislador, é a Justiça em pessoa. E qual é a sua sentença? «Quem de vós estiver sem pecado seja o primeiro a lançar-lhe uma pedra». Estas palavras estão cheias da força desarmante da verdade, que abate o muro da hipocrisia e abre as consciências a uma justiça maior, a do amor, no qual consiste o pleno cumprimento de cada preceito (cf. Rm 13, 8-10). Foi a justiça que salvou também Saulo de Tarso, transformando-o em São Paulo (cf. Fl 3, 8-14).

Quando os acusadores «foram saindo um por um, a começar pelos mais velhos», Jesus, absolvendo a mulher do seu pecado, introduziu-a numa vida nova, orientada para o bem: «Nem Eu te condeno; vai e doravante não tornes a pecar». É a mesma graça que fará dizer ao Apóstolo: «Uma coisa faço: esquecendo-me do que fica para trás e avançando para o que está adiante, prossigo em direcção à meta, para obter o prémio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus» (Fl 3, 14). Deus deseja para nós apenas o bem e a vida; Ele provê à saúde da nossa alma por meio dos seus ministros, libertando-nos do mal com o Sacramento da Reconciliação, para que ninguém se perca, mas todos tenham a ocasião de se converter. Neste Ano sacerdotal, desejo exortar os Pastores a imitar o santo Cura d'Ars no ministério do Perdão sacramental, para que os fiéis redescubram o seu significado e a beleza, e sejam curados pelo amor misericordioso de Deus, o qual «chega até a esquecer voluntariamente o pecado, para nos perdoar» (Carta de proclamação do Ano sacerdotal).

Queridos amigos, aprendamos do Senhor Jesus a não julgar e a não condenar o próximo. Aprendamos a ser intransigentes com o pecado – a partir do nosso! – e indulgentes com as pessoas. Ajude-nos nisto a santa Mãe de Deus que, preservada de qualquer culpa, é mediadora de graça para cada pecador arrependido.

No final do Angelus, o Papa saudou em várias línguas os fiéis presentes e recordou o 25ª aniversário da Jornada Mundial da Juventude.

Proximamente, no Domingo de Ramos, celebra-se o 25º aniversário do início das Jornadas mundiais da juventude, queridas pelo Venerável João Paulo II. Por isso, quinta-feira próxima, a partir das 19h00, espero os jovens de Roma e do Lácio em grande número na Praça de São Pedro para um especial encontro de festa.

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16 de Setembro de 2019

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