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Internacional por vocação

· O nosso jornal recordado no volume «Uno sguardo cattolico» ·

No dia 19 de Dezembro, na Embaixada da Itália junto da Santa Sé, foi apresentado o volume Uno sguardo cattolico. 100 editoriali dell’Osservatore Romano (2007-2011). Introdução de Giovanni Maria Vian, Milão, Vita e Pensiero, XVI + 270 páginas. A apresentação foi a ocasião para o primeiro encontro entre o arcebispo secretário para as Relações com os Estados e o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano que, antes do encontro público, tiveram uma longa reunião particular. Do discurso de D. Dominique Mamberti — publicado na íntegra, juntamente com outras intervenções apresentadas durante o encontro, no site do nosso jornal (www.osservatoreromano.va) — publicamos uma ampla sinopse. Hospedados pelo embaixador Francesco Maria Greco, na apresentação intervieram também a jornalista Ritanna Armeni, o presidente de «Rcs Libri», Paolo Mieli, e padre Ugo Sartorio, director do «Messaggero di sant’Antonio».

Publicado por «Vita e Pensiero» — a histórica editora da Universidade Católica do Sagrado Coração — este volume apresenta «L’Osservatore Romano» que, nos últimos anos, foi renovado por vontade de Bento XVI. Esta mudança realizou-se, mantendo naturalmente o cunho particular e aliás único deste diário, que é expressão informal da Santa Sé, mas acentuando de modo especial a dimensão internacional, presente desde as origens, e as características de «jornal de ideias», segundo a célebre definição que, há meio século, por ocasião do centenário do diário, lhe conferia o cardeal Giovanni Battista Montini, que dois anos depois foi eleito Papa com o nome de Paulo VI.

Não é a primeira vez que são reunidos num livro os artigos publicados por «L’Osservatore Romano». O arquétipo desta série ideal foi, em 1930, o pequeno volume Date a Dio, de Giuseppe Dalla Torre, onde o então director do diário vaticano reuniu as suas respostas ao livro de Mario Missiroli «Date a Cesare». La politica religiosa di Mussolini con documenti inediti . Seguiram-se, não por acaso durante a segunda guerra mundial, dois volumes de Guido Gonella que, na época mais obscura do século XX, souberam olhar construtivamente para o futuro e foram traduzidos em seis línguas, com títulos imediatamente expressivos: Presupposti di un ordine internazionale (1942) e Principi di un ordine sociale (1944), republicados cerca de quarenta anos mais tarde com o título: Dalla guerra alla ricostruzione , com um prefácio de Raimondo Manzini. Em seguida, a partir dos anos 60 até ao início dos anos 80, há que recordar as colectâneas — todas elas publicadas por editores externos ao Vaticano — Azione cattolica e fascismo , de Dalla Torre; Bailamme ovverosia pensieri del sabato, de Pe. Giuseppe De Luca; Il leone nello scrittoio , de Nello Vian; e, sobretudo, a antologia dos «Acta diurna», de Gonella, com os comentários sobre a actualidade internacional da rubrica mais célebre do jornal, retomada por outros depois da guerra. Em relação aos últimos tempos do jornal, em 2009 foi publicado o pequeno volume In difesa di Pio XII. Le ragioni della storia (Marsilio), com contribuições eficazes de historiadores e teólogos, católicos e judeus, enquanto este ano foram publicados Tempo di Dio, tempo della Chiesa. L’anno liturgico bizantino (Marietti), de Pe. Manuel Nin, já traduzido em várias línguas, e o recentíssimo Le ragioni dell’economia. Scritti per L’Osservatore Romano (Libreria Editrice Vaticana), de Ettore Gotti Tedeschi, que acaba de ser publicado pela Libreria Editrice Vaticana.

Cem editorais de «L’Osservatore Romano», publicados nos últimos quatro anos, foram reunidos neste volume com o título de sabor guardiniano: Uno sguardo cattolico . Aqui, o adjectivo deve ser entendido na dupla acepção do seu significado originário: ou seja, para indicar a instituição à qual o jornal está ligado, mas também para sublinhar a sua dimensão, que não está idealmente circunscrita dentro de confins particulares. Pelo contrário, o jornal esforça-se por ser o eco «fiel de uma instituição internacional e supranacional, como é a Santa Sé», segundo as palavras escritas pelo cardeal Pietro Gasparri em 1922 e citadas na carta papal por ocasião do sesquicentenário do diário.

Cerca de noventa anos mais tarde, as páginas deste livro confirmam que a renovação de «L’Osservatore Romano» se moveu, neste últimos tempos, sempre em coerência com a sua tradição, apostando sobretudo na ampliação considerável precisamente da sua dimensão internacional.

O alcance internacional de «L’Osservatore Romano», confirmada por esta colectânea dos seus editorais, não se deve decerto apenas às diversas proveniências dos autores, mas quer transparecer em cada página do livro. Antes de tudo, pelo cenário mundial em que se move Bento XVI e para o qual olha a Santa Sé, mas também pela vastidão dos temas enfrentados e recorrentes em muitos comentários. Na singularidade, certamente não simples, que deriva do ser expressão informal e jornalística de uma instituição religiosa plurissecular e, com efeito, única no mundo, o diário vaticano documenta e comenta em primeiro lugar as palavras do Papa, a sua presença no debate público e a actividade da Santa Sé.

Além disso, graças à abertura considerável a novos autores — entre os quais, «um número crescente de colaboradoras», recordou Bento XVI na carta por ocasião do sesquicentenário — o jornal mantém alta a atenção sobre questões cruciais como, precisamente, a economia, a diplomacia multilateral, o problema das mudanças climáticas, o respeito pelos direitos humanos — entre os quais sobressai em particular a liberdade religiosa — e a defesa das minorias étnicas. Além disso, nos editorais são recorrentes os temas da bioética e da biopolítica, a relação entre ciência e interesses económicos, a questão feminina, a arte como caminho espiritual, o nó da transformação da linguagem, a revolução mediática, as novas intolerâncias, a remoção de Deus em muitas sociedades de antiga tradição cristã.

Portanto, com a sua presença na informação internacional e no debate cultural contemporâneo, «L’Osservatore Romano» quer manter uma tradição e uma missão que, em 1936, na celebração do septuagésimo quinto aniversário, Pio XI definia como um «ir quanto mais longe possível e ensinar qual é o espírito romano, qual é e como deve ser entendido o pensamento da Santa Sé». O jornal «sempre procurou servir bem a sua causa, inabalável nos princípios, sereno nas lutas, digno e adaptável nas formas», como três dias antes de Pio XI escrevera o seu secretário de Estado, cardeal Eugenio Pacelli. Em última análise, é a mesma atitude que, no artigo já citado do futuro Paulo VI, se definia felizmente como «fraternidade de linguagem e de relações». Uma atitude que hoje o jornal deseja manter, para demonstrar «a amizade cordial da Santa Sé pela humanidade do nosso tempo», segundo uma bonita expressão de Bento XVI.

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19 de Novembro de 2019

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