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Igreja sinodal

· No cinquentenário da assembleia que representa o episcopado mundial o Papa recordou a sua estreita ligação com o concílio e sublinhou que o facto de o sínodo agir «cum Petro et sub Petro» não é uma limitação da liberdade mas garantia da unidade ·

«Igreja e Sínodo são sinónimos». Recordando esta expressão de são João Crisóstomo, o Papa relançou a sinodalidade «como dimensão constitutiva da Igreja» e convidou a ler e compreender nesta luz «o próprio ministério hierárquico». No discurso pronunciado a 17 de Outubro, durante a comemoração do cinquentenário do Sínodo dos bispos, Francisco indicou na instituição desejada por Paulo VI «uma das heranças mais preciosas da última assembleia conciliar».

E falou dela como ponto de convergência daquele «dinamismo de escuta» que, partindo do povo de Deus, passa através dos pastores e culmina no bispo de Roma. O qual – especificou – é chamado a pronunciar-se como «pastor e doutor de todos os cristãos»: portanto, «não a partir das suas convicções pessoais, mas como testemunha suprema da fides totius Ecclesiae», ou seja, «garante da obediência e da conformidade da Igreja à vontade de Deus, ao Evangelho de Cristo e à tradição da Igreja».

«O facto de que o Sínodo aja sempre cum Petro et sub Petro – por conseguinte não só cum Petro, mas também sub Petro – não é uma limitação da liberdade, mas uma garantia da unidade» frisou o Pontífice, reafirmando com as palavras da Lumen gentium que «o Papa é, por vontade do Senhor, o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade tanto dos bispos quanto da multidão dos fiéis». A isto refere-se o conceito de ierarchica communio utilizada pelo Vaticano II: «Os bispos estão unidos ao bispo de Roma pelo vínculo de comunhão episcopal (cum Petro) e estão, ao mesmo tempo, submetidos hierarquicamente a ele como chefe do colégio (sub Petro)».

Portanto, se é verdade que a Igreja «mais não é do que o “caminhar junto” do rebanho de Deus pelas sendas da história ao encontro de Cristo Senhor», se compreende como dentro dela ninguém pode ser «elevado acima dos outros». Ao contrário – afirmou Francisco - «na Igreja é necessário que alguém «se abaixe» para se colocar ao serviço dos irmãos ao longo do caminho».

O papa evocou a imagem da «pirâmide invertida», onde «o vértice se encontra debaixo da base», para sublinhar precisamente que no serviço ao povo de Deus «cada Bispo se torna, para a porção do rebanho que lhe é confiado, vicarius Christi, vigário daquele Jesus que na última ceia se inclinou para lavar os pés dos apóstolos». E «num horizonte semelhante – acrescentou – o próprio sucessor de Pedro é unicamente o servus servorum Dei».

Disso deriva que «para os discípulos de Jesus, ontem, hoje e sempre, a única autoridade do serviço, o único poder é o poder da cruz». Uma perspectiva da qual Francisco considerou também os reflexos ecuménicos da sinodalidade da Igreja no exercício da primazia petrina. «O Papa – disse a este propósito – não está, sozinho, acima da Igreja; mas, dentro dela como baptizado entre os baptizados e dentro do colégio episcopal como bispo entre os bispos, chamado ao mesmo tempo, como sucessor do apóstolo Pedro, a guiar a Igreja de Roma que preside no amor todas as Igrejas».

Discurso do Papa

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Praça De São Pedro

18 de Agosto de 2019

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