Nota

Este site utiliza cookies...
Os cookies são pequenos arquivos de texto que ajudam a melhorar a sua experiência de navegação no nosso site. Ao navegar em qualquer parte deste site você autoriza a utilização dos cookies. Poderá encontrar maiores informações sobre a policy dos cookies nas Condições de utilização.

A formação é o futuro

· Em diálogo com o arcebispo Rodríguez Carballo sobre a «Vultum Dei quaerere» ·

Mais de quarenta mil mulheres dedicadas à vida contemplativa são as destinatárias da nova constituição apostólica Vultum Dei quaerere do Papa Francisco. É um documento que chega mais de cinquenta anos após o precedente, Sponsa Christi de Pio XII. No novo texto são introduzidas algumas novidades, em especial sobre a formação, sobre a autonomia e sobre o papel das federações, incluindo a clausura, explicou o arcebispo José Rodríguez Carballo, secretário da Congregação para os institutos de vida consagrada e as sociedades de vida apostólica, nesta entrevista ao nosso jornal.

Quem são os destinatários da constituição apostólica?

As monjas contemplativas ou inteiramente contemplativas, também chamadas claustrais, da Igreja latina. Segundo as últimas estatísticas, no total são 43.546 e vivem em cerca de 4000 mosteiros. Deles, a Europa conta com a presença mais maciça, aproximadamente 2000. E o resto do mundo, com os outros 2000. As quatro nações com mais mosteiros são: Espanha com 850, Itália com 523, França com 257 e Alemanha com 119. Neste momento os mosteiros estão organizados em 166 federações, 47 associações e 5 congregações. Algumas ordens como as redentoristas, ou partes de ordens como as carmelitas descalças da Polónia, não têm vínculo algum entre os mosteiros. Muitos mosteiros estão ligados à correspondente ordem masculina, outros estão sob a «vigilância» do ordinário do lugar. Este vínculo com a ordem masculina, que de resto é recomendada pela própria constituição apostólica, está a aumentar, tendo em consideração o mesmo carisma que ambos professam. Nisto há que ter presente a vontade dos fundadores. Em algumas ordens este vínculo, que comporta também conotações jurídicas, é questão de fidelidade.

Qual é a atual tendência «demográfica» da vida monástica feminina?

Dado que a presença dos mosteiros está na Europa e dois terços da população monástica feminina vivem na Espanha e na Itália, a demografia das monjas contemplativas ou inteiramente contemplativas segue o andamento geral das vocações no continente e nestes dois países, ou seja: tendência ao envelhecimento e à diminuição. Este trend parece evidente tendo presente o número de supressões de mosteiros e de novas aberturas. De 2003 a 2015 foram suprimidos 185 mosteiros e abertos 154. No total, o país onde mais mosteiros foram fechados é a Espanha: 95. Seguem-se a França com 22, a Itália com 19, a Grã-Bretanha com 11, os Estados Unidos com 8, a Bélgica com 7, o Canadá com 6, o México com 3, a Venezuela e a Irlanda com 2, a Holanda, Alemanha, Portugal, Dinamarca, Peru, Uruguai, Chile, Brasil, Japão e Líbano com 1. Na América Latina foram abertos 62 mosteiros, na Ásia 35, na África 24, na Europa 23, na América do Norte 9, na Oceânia 1.

Quais são as principais novidades do documento? Há diferenças substanciais com a Sponsa Christi de Pio XII?

Por um lado, a constituição retoma e reitera elementos que são desde sempre típicos da tradição monástica, já contidos na Sponsa Christi; por outro, responde a algumas instâncias das quais se fizeram voz os próprios mosteiros, sentidas como lacunas na legislação precedente, em particular no que se refere a três temas: formação, autonomia e papel das federações, clausura. No que diz respeito à formação, recomenda-se grande atenção ao discernimento, sem se deixar tomar «pela tentação do número e da eficiência», e ao acompanhamento das vocações, pedindo um «acompanhamento personalizado das candidatas» e promovendo «percursos formativos adequados» (VDq, 15). Uma nova indicação, ligada ao particular momento sociocultural, é a de não recrutar candidatas de outros países só para garantir a sobrevivência do mosteiro (cf. art. 3 § 6). Outras duas recomendações referem-se primeiro ao cuidado pela formação inicial, à qual se deve reservar um amplo espaço de tempo (cf. art. 3 § 5). Sobre este aspeto certamente influiu o elevado número de abandonos da vida religiosa, que hoje atinge até as irmãs professas de vida contemplativa; e depois à formação das formadoras, para cuja dedicação as irmãs poderão participar também em cursos fora do mosteiro, contanto que estejam atentas a preservar um clima adequado e coerente com o carisma (art. 3 § 3). Outro elemento importante da nova constituição apostólica é o convite a promover a colaboração entre os mosteiros para garantir uma formação adequada a esta época, quer na formação permanente (cf. art. 3 § 2. 4), quer na inicial, promovendo casas comuns de formação (cf. art. 3 § 7).

Nicola Gori

Edição em papel

 

AO VIVO

Praça De São Pedro

23 de Agosto de 2019

NOTÍCIAS RELACIONADAS