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Faleceu o cardeal Michele Giordano

O cardeal Michele Giordano nasceu no dia 26 de Setembro de 1930 na localidade de Sant’Arcangelo, na província de Potenza (Itália).

Entrou no seminário regional para os estudos superiores e, sucessivamente, no seminário de Salerno. Obteve a licença em teologia no seminário de Posillipo. Recebeu a Ordenação sacerdotal no dia 5 de Julho de 1953, iniciando o ministério sacerdotal como pároco de Scanzano.

Em seguida, tornou-se director do centro catequético e do centro diocesano de estudos sociais, e assistente diocesano da Acção católica. Foi nomeado bispo auxiliar de Matera e administrador apostólico «sede vacante» das dioceses de Gravina e Irsina no dia 23 de Dezembro de 1971 e recebeu a Ordenação episcopal em 5 de Fevereiro de 1972, tendo sido promovido à arquidiocese de Matera no dia 12 de Junho de 1974.

Em 1976, quando a arquidiocese de Matera se uniu à sede de Irsina, D. Michele Giordano tornou-se arcebispo de Matera-Irsina.

Num clima de amizade fraterna com os sacerdotes e de confiança cordial com a população, reabriu o seminário diocesano, inactivo havia 60 anos.

De 1978 a 1982 realizou uma visita pastoral à diocese para verificar o estado de actuação e prática das directrizes do Concílio Ecuménico Vaticano II. Fundou em Matera a escola superior de teologia para leigos e o centro para a pastoral familiar. Desde então a sua pregação dirigiu-se, de maneira especial, à questão social.

A 9 de Maio de 1987 foi nomeado arcebispo de Nápoles, o ministério que caracterizou a sua vida. Dirigiu o seu primeiro gesto «à população do cárcere de Poggioreale»: precisamente aos encarcerados quis levar a «esperança da cela». João Paulo II criou-o Cardeal no Consistório de 28 de Junho de 1988.

Em Setembro desse mesmo ano, tendo sido eleito presidente da Conferência episcopal regional, D. Giordano assumiu o compromisso de estar ao lado dos fiéis «através da reflexão comum e do estudo contínuo dos muitos e graves problemas relativos à situação pastoral e social». Assim no mês de Abril de 1988, num período de crise, esteve ao lado dos trabalhadores da Italsider. Encontrou-se com eles no lugar de trabalho e defendeu publicamente os seus direitos.

O título da sua primeira carta pastoral, Sicut flumen pax tua, foi também o seu lema. Significou o desenvolvimento de algumas linhas pastorais destinadas a alimentar, onde quer que a sua missão o chamasse, o espírito de continuidade e de comunhão que sempre deve animar a Igreja. A sua participação nos dramas da cidade foi pontual. Muitas vezes se fez intérprete de denúncias e exortações diante das graves manifestações de violência que abalaram a comunidade. Durante a sua missão em Nápoles empenhou-se, sobretudo, na aplicação do trigésimo sínodo diocesano, celebrado pelo seu predecessor, cardeal Ursi. Em Novembro de 1990 recebeu João Paulo II na sua mais longa peregrinação italiana, que tocou pontos nevrálgicos como Scampia. Para o cardeal Giordano foi uma ocasião para reafirmar que Nápoles «não se rende» aos seus problemas crónicos.

A sua atenção aos problemas concretos dos napolitanos levou-o inclusive a visitar a comunidade de emigrados nos Estados Unidos da América. A ocasião foi a exposição do tesouro de São Januário, apresentada no museu de Brooklyn. O cardeal Giordano foi guardião fiel das relíquias do santo padroeiro.

Há dois meses o purpurado recebeu a sua prenda mais bonita: uma carta dos fiéis de Nápolis que, pelos seus oitenta anos, lhe agradeciam o serviço prestado. Também o cardeal Sepe, seu sucessor, lhe enviou uma mensagem, recordando o empenho missionário por uma comunidade «aberta à escuta, sensível às expectativas do povo de Deus, atenta às problemáticas sociais que acompanham e, com frequência, tornam a vida do homem difícil e precária». Naquelas palavras, o cardeal Giordano encontrou a síntese do seu testemunho para «encarnar a palavra de Deus na realidade social» com um zelo particular pelos pobres, pelas famílias e pelos jovens.

O pesar do Papa

O cardeal Michele Giordano, arcebispo emérito de Nápoles (Itália), faleceu a 2 de Dezembro. Ao receber a notícia, o Pontífice enviou ao cardeal Crescenzio Sepe, arcebispo da mesma Sede, o seguinte telegrama.

Tendo recebido com tristeza a notícia do falecimento do Cardeal Michele Giordano Arcebispo emérito de Nápoles desejo exprimir a Vossa Eminência e à inteira comunidade diocesana como também aos familiares do saudoso purpurado a minha profunda participação na sua dor pensando com afecto neste querido irmão que serviu generosamente o Evangelho e a Igreja. Recordando com gratidão ao Senhor a intensa obra pastoral prodigalizada primeiro em Tursi-Lagonegro depois em Matera-Irsina e enfim na Arquidiocese napolitana elevo fervorosas orações ao Senhor a fim de que o acolha na sua paz e de coração concedo a quantos choram a sua morte a confortadora Bênção Apostólica.

Benedictus pp. XVI

Um telegrama análogo foi enviado pelo cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado.

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16 de Setembro de 2019

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