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Em prol da justiça e do bem de todos os africanos

· Assinatura da exortação apostólica «Africae munus» ·

«Uma Igreja internamente reconciliada entre todos os seus membros poderá tornar-se sinal profético de reconciliação a nível da sociedade, de cada país e do continente inteiro», afirmou o Papa no discurso pronunciado na manhã de sábado 19 de Novembro, durante a visita à basílica de Ouidah, onde assinou a exortação apostólica pós-sinodal Africae munus, com a qual se concluiu a celebração do evento sinodal.

Venerados Cardeais

Amados Irmãos no episcopado e no sacerdócio

Queridos Irmãos e Irmãs!

Agradeço cordialmente ao Secretário-Geral do Sínodo dos Bispos, D. Nikola Eterović, as suas palavras de boas-vindas e de introdução a este acto, bem como a todos os membros do Conselho Especial para a África que contribuíram para recolher os resultados da Assembleia sinodal tendo em vista a sua publicação na Exortação Apostólica pós-sinodal.

Hoje, com a assinatura da Exortação Africae munus , conclui-se a celebração do evento sinodal. O Sínodo deu um impulso à Igreja Católica na África que rezou, reflectiu e debateu sobre o tema da reconciliação, da justiça e da paz. Este processo ficou marcado por uma especial proximidade entre o Sucessor de Pedro e as Igrejas particulares na África. Bispos, mas também peritos, auditores, convidados especiais e delegados fraternos deslocaram-se a Roma para celebrar este importante acontecimento eclesial. Eu mesmo fui a Yaoundé para dar o Instrumentum laboris da Assembleia sinodal aos Presidentes das Conferências Episcopais, como sinal do meu interesse e da minha solicitude por todos os povos do continente africano e das ilhas vizinhas. E agora tenho a alegria de voltar à África, mais concretamente ao Benim, para entregar este Documento final dos trabalhos, no qual se recolhem as reflexões dos Padres sinodais apresentadas numa visão sintética como parte de uma ampla visão pastoral.

A segunda Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos beneficiou da Exortação apostólica pós-sinodal Ecclesia in Africa , do Beato João Paulo II, na qual aparece fortemente sublinhada a urgência da evangelização do continente, que não se pode dissociar da promoção humana. Além disso, desenvolveu-se nela o conceito de Igreja-família de Deus. Este conceito produziu muitos frutos espirituais para a Igreja Católica e para a actividade de evangelização e de promoção humana que ela realizou a bem da sociedade africana no seu conjunto. De facto, a Igreja é chamada a reconhecer-se cada vez mais como uma família. Para os cristãos, trata-se da comunidade dos crentes que louva a Deus Uno e Trino, celebra os grandes mistérios da nossa fé e anima com a caridade as relações entre as pessoas, os grupos e as nações, independentemente das respectivas diferenças étnicas, culturais e religiosas. Neste serviço prestado a cada pessoa, a Igreja está aberta à colaboração com todas as componentes da sociedade, particularmente com os representantes das Igrejas e Comunidades eclesiais que ainda não estão em plena comunhão com a Igreja Católica, e também com os representantes das religiões não cristãs, sobretudo os das Religiões Tradicionais e do Islão.

Tendo presente este horizonte eclesial, a segunda Assembleia Especial para a África concentrou-se sobre o tema da reconciliação, da justiça e da paz. Trata-se de pontos importantes para o mundo em geral, mas revestem-se de uma actualidade muito particular na África. Basta recordar as tensões, as violências, as guerras, as injustiças, os abusos de toda a espécie, velhos e novos, que caracterizaram este ano. O tema principal dizia respeito à reconciliação com Deus e com o próximo. Uma Igreja internamente reconciliada entre todos os seus membros poderá tornar-se sinal profético de reconciliação a nível da sociedade, de cada país e do continente inteiro. São Paulo escreve: «Tudo isto vem de Deus, que nos reconciliou consigo por meio de Cristo e nos confiou o ministério da reconciliação» ( 2 Cor 5, 18). O fundamento desta reconciliação encontra-se na própria natureza da Igreja, que, «em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o género humano» (Conc. Ecum. Vat. ii, Const. Lumen gentium , 1). Sobre esta base, a Igreja na África é chamada a promover a paz e a justiça. A Porta do Não-Regresso e a do Perdão recordam-nos este dever, incitando-nos a denunciar e combater toda a forma de escravatura.

É preciso não cessar jamais de procurar os caminhos da paz. Esta é um dos bens mais preciosos. Para alcançá-la, é necessário ter a coragem da reconciliação que nasce do perdão, da vontade de recomeçar a vida comunitária, da visão solidária do futuro, da perseverança para superar as dificuldades. Os homens, reconciliados e em paz com Deus e o próximo, podem trabalhar por uma justiça maior no seio da sociedade. É preciso não esquecer que a justiça primeira é, segundo o Evangelho, cumprir a vontade de Deus. Desta opção de base, derivam inúmeras iniciativas que visam promover a justiça na África e o bem de todos os habitantes do continente, principalmente dos mais carenciados que precisam de emprego, escolas e hospitais.

África, terra de um Novo Pentecostes, tem confiança em Deus! Animada pelo Espírito de Jesus Cristo ressuscitado, torna-te a grande família de Deus, generosa com todos os teus filhos e filhas, agentes de reconciliação, de paz e de justiça. África, Boa Nova para a Igreja, torna-te isto mesmo para o mundo inteiro!

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23 de Setembro de 2019

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