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É Pedro quem fala

Mais uma vez Bento XVI, improvisando quase por meia hora, falou do ser cristãos. A inspiração veio do início da primeira carta de Pedro, «quase uma primeira encíclica», texto sobre o qual o bispo de Roma reflectiu diante dos seus seminaristas. Segundo a prática antiga da meditação sobre a Escritura inspirada por Deus (lectio divina) e com palavras que tocam o coração e interpelam a razão. Graças a uma reflexão riquíssima e impressionante sobre o destino de quem é chamado a presidir à comunhão católica, mas também da Igreja e de cada cristão.

Quem fala é Pedro, o primeiro dos apóstolos que reconheceu no mestre de Nazaré o ungido de Deus, o Cristo. Por conseguinte, um homem «desejoso de Deus», mas também pecador. Como sempre, de antigo professor habituado a confrontar-se com todos os tipos de dificuldade, o Papa não ignorou as objecções sobre a autenticidade do texto. Com finura e total plausibilidade histórica resolveu-as ressaltando que a carta expressa a fé da Igreja, porque em nome dela (ex persona ecclesiae) o autor dita as suas palavras, e não – acrescentou com um pouco de  ironia - como um génio do século XIX.

Por conseguinte, no centro da meditação do sucessor de Pedro está a Igreja de Cristo. E precisamente o caminho do apóstolo de Jerusalém até Roma mostra o seu destino e o da comunidade cristã, em todos os tempos. Destino que incluiu sempre o martírio, o qual – observou significativamente Bento XVI - «pode assumir formas muito diversas», num grupo que é hoje o mais perseguido, porque não é conformista. Uma minoria com uma «grande história» e que não obstante isso carrega o destino da dispersão neste mundo, do ser sempre estrangeiros.

Com expressões bíblicas e como um antigo autor, o Papa soube descrever com imagens sugestivas e verdadeiras «a árvore da Igreja», que não  está a esmorecer  mas «cresce sempre de novo». Com efeito, o Papa sabe – disse-o muitas vezes e todos os dias o experimenta como cada cristão – que «a Igreja morre por causa dos pecados dos homens», mas ao mesmo tempo é «a árvore de Deus» e leva consigo a verdadeira herança que permanece.

Por isso, o Papa repetiu com vigor a palavra de João XXIII, meio século depois da abertura do concílio desmentindo mais uma vez quem se obstina a representá-lo como pessimista: não nos devemos deixar impressionar pelos «profetas de desventura» porque a Igreja não morre, mas renova-se e renasce sempre (semper reformanda). Num processo de purificação que quer a cura e olha para o futuro de Deus.

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16 de Setembro de 2019

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