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Do lápis ao e-book

· Em diálogo com o editor de Bento XVI ·

Sete edições iniciais, num total de um milhão e duzentas mil cópias e contratos assinados com 22 editoras de todo o mundo. Estes são os primeiros números do livro de Bento XVI — Jesus de Nazaré. Da Entrada em Jerusalém até à Ressurreição. O volume foi apresentado na tarde de 10 de Março, na Sala de Imprensa da Santa Sé. Sobre a sua origem, os bastidores que acompanharam a realização e, acima de tudo, sobre o complexo trabalho editorial que está na sua base, falamos com Pe. Giuseppe Costa, director da Libreria Editrice Vaticana (lev).

Na entrevista que concedeu ao nosso jornal a 20 de Janeiro, o senhor previa a saída do volume para Março: perfeitamente a tempo! De quem é o mérito?

Um pouco de todos, mas principalmente do autor, que o entregou com muita antecipação. Depois, houve o longo trabalho de tradução nas diversas línguas, e desde Fevereiro, a impressão e uma organização que exigiram deveras muito empenho.

Qual é a história editorial do livro?

Há quase um ano e meio, monsenhor Georg Gänswein entregou-me a pen drive e o texto em papel: o Papa tinha concluído o texto a lápis, com a sua inconfundível caligrafia miúda, e depois como sempre, Birgit Wansing transcreveu no computador.

Na Itália, o primeiro volume foi publicado pela Rizzoli, e o actual sai pela lev: uma mudança significativa.

Diria que sim. O livro, editado pela Tipografia vaticana, é distribuído pela rcs, que com a sua excelente organização nos garantiu a distribuição de trezentas mil cópias em três dias.

Um aspecto não fácil deve ter sido o das traduções.

Sobretudo em italiano não foi simples, porque nessas décadas os livros de Joseph Ratzinger foram traduzidos por diversas pessoas: o desafio foi encontrar uma homogeneidade de linguagem. Também é preciso evitar o risco de que a tradução nas várias línguas possa não conservar ou até trair o pensamento do autor. A fidelidade ao original foi garantida com atenção e empenho pelos tradutores da Secretaria de Estado.

No primeiro volume, houve problemas de tradução?

Sim: por exemplo, a chinesa não era impecável, e outras não correspondiam à linguagem teológica.

Agora chegaram mais pedidos de tradução, em relação ao primeiro volume?

Sim, o interesse é superior e por conseguinte o número de editores cresceu. E estamos ainda no início: assinamos contratos com 22 editoras em todo o mundo, e estamos em negociação com outras.

Como é feita a escolha dos editores?

Quando se sabe que o Papa está a trabalhar num livro, de muitos países chegam várias solicitações, de modo que no final os editores são só uma parte de quantos se tinham apresentado. Nos Estados Unidos, por exemplo, Ignatius Press pareceu-nos o mais adequado, não obstante se tenham apresentado editores importantes como Doubleday e Our Sunday Visitor. Para a edição em francês, escolhemos Parole et Silence, uma editora em fase de crescimento, muito empenhada na difusão do magistério papal, e na Espanha, Encuentro.

A mudança foi completa...

Quase completa: nem todos os editores do primeiro volume publicaram o segundo. A escolha foi orientada por vários critérios. Seriedade editorial e organizativa, certamente, mas também lealdade: decidimos por editores capazes de promover não simplesmente o livro, mas inclusive o seu conteúdo.

Quais são os números previstos?

A 10 de Março saem sete edições — em alemão, italiano, inglês, francês, espanhol, português e polaco — num total de um milhão e duzentas mil cópias. A edição alemã iniciou com cento e cinquenta mil cópias, mas a Herder acrescentou já cinquenta mil e está pronta para outras tiragens. A edição italiana foi distribuída em trezentas mil cópias e estão a imprimir outras cem mil. Na França estão prontas cem mil cópias e Portugal começou com vinte mil. Depois, no final de Março, sai a edição croata.

Também está previsto o e-book?

Certamente. E nalgumas línguas está disponível inclusive o primeiro volume.

E para o futuro?

No prefácio deste livro o próprio Papa anuncia uma terceira parte dedicada aos Evangelhos da infância. E existe a ideia de realizar pela lev uma edição única dos três volumes. Estamos convictos de que este novo livro de Bento XVI será um long seller. Como tal, deve ser adequadamente promovido através de apresentações, encontros e outras iniciativas.

O volume é dedicado aos últimos dias da vida de Jesus. A publicação na proximidade da Páscoa é um caso?

Não, este é sem dúvida o melhor período. Poderia ter sido publicado antes, mas em Novembro saiu o livro-entrevista.

Bento XVI certamente é um autor que faz economizar em publicidade...

Não só, mas como editor devo dizer que o Papa fez crescer a lev porque tivemos que adaptar estruturas e organização, demonstrando capacidades que antes não tínhamos. Obviamente, o Papa impulsiona-nos também no aspecto cultural, porque propomos ensaios que comentam as suas obras e livros que divulgam o seu magistério ao grande público.

Não existe autor se não existir leitor: também no caso de Bento XVI?

O Papa faz-se ler sempre, inclusive nos pontos mais complexos. Bento XVI é um teólogo requintado e às vezes aprofunda inclusive aspectos relacionados com o método de pesquisa, mas quem se interessa pela narração da fé, pela dimensão espiritual ou só pela comunicação humana, considera as suas páginas sempre muito compreensíveis. E cativantes.

Edição em papel

 

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16 de Setembro de 2019

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