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Carta a todo o povo de Deus

· O Papa pediu perdão pelos crimes cometidos por consagrados e clérigos e invocou o compromisso da Igreja inteira para erradicar a cultura do abuso ·

Com «vergonha e arrependimento» o Papa reconheceu responsabilidades e atrasos da Igreja em enfrentar os casos de abusos cometidos por consagrados e clérigos contra menores. «Negligenciamos e abandonamos os pequenos» admitiu numa «carta ao povo de Deus» publicada a 20 de agosto, na qual pediu novamente perdão e invocou o engajamento de toda a comunidade eclesial a fim de «erradicar a cultura do abuso».

Certamente não é a primeira vez que Francisco condena com vigor estes crimes e se faz voz do brado de dor das vítimas, «um gemido – escreveu – que clama ao céu, que alcança a alma e que, por muito tempo, foi ignorado, emudecido ou silenciado». O recente relatório difundido pela procuradoria da Pensilvânia, no qual se documentam casos que em setenta anos envolveram trezentos sacerdotes e mais de mil menores em seis das oito dioceses do Estado, foi a ocasião para reafirmar «que as feridas nunca desaparecem e nos obrigam a condenar veementemente essas atrocidades, bem como a unir esforços para erradicar essa cultura da morte». Mas, sobretudo, foi um modo para recordar que ninguém pode negligenciar a assunção de responsabilidades que chama em causa toda a comunidade dos crentes. Porque como escreve São Paulo na primeira carta aos Coríntios que oportunamente abre o texto papal, «um membro sofre? Todos os outros membros sofrem com ele» (12, 26). E «a dimensão e a gravidade dos acontecimentos», reafirmou o Pontífice «obrigam a assumir esse facto de maneira global e comunitária».

«Hoje, como Povo de Deus, somos desafiados a assumir a dor de nossos irmãos feridos na sua carne e no seu espírito», exortou o Papa, relançando a necessidade de que «cada batizado se sinta envolvido na transformação eclesial e social de que tanto necessitamos». Isto exige uma «conversão pessoal e comunitária», que para Francisco deve traduzir-se num convite decisivo e apaixonado «ao exercício penitencial da oração e do jejum». Uma prática que, nas intenções do Pontífice, visa despertar «a nossa consciência, a nossa solidariedade e o nosso compromisso com uma cultura do cuidado e o “nunca mais” a qualquer tipo e forma de abuso».

«É impossível imaginar uma conversão do agir eclesial sem a participação activa de todos os membros do Povo de Deus», disse na conclusão, advertindo contra a tentação de reduzir a Igreja a «pequenas elites» e reafirmando que «dizer não ao abuso, é dizer energicamente não a qualquer forma de clericalismo».

Carta di Papa Francisco

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24 de Outubro de 2019

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