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Diálogo não é debilidade

· Em colóquio com o cardeal Tauran no dia seguinte ao massacre de Berlim ·

«O diálogo com os muçulmanos deve continuar, porque a alternativa seria a violência. Todavia, devemos esclarecer que desejamos o diálogo mas não a “submissão”». No dia seguinte ao atentado que atingiu o coração de Berlim, o cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Pontifício conselho para o diálogo inter-religioso, no sulco do magistério do Papa Francisco continua a repetir que é necessário «um diálogo da esperança, para confirmar que as religiões não são o problema, mas fazem parte da solução do que acontece no mundo».

As modalidades do ataque de Berlim recordam os sangrentos factos de julho em Nice, seguidos pelos de Rouen, que levaram muitas pessoas na Europa a adotar atitudes de fechamento em relação ao islão. Para não falar da tragédia de Alepo ou do recente atentado na catedral copta da capital egípcia. Face a tudo isto, ainda é possível falar de diálogo?

É precisamente por causa desta situação que se impõe uma atenção particular ao mundo muçulmano. Todos ficamos chocados com o que aconteceu na Alemanha, no Egito e ainda antes na França, na minha pátria. Mas naquela circunstância, por exemplo, pudemos constatar também – em particular depois do homicídio do idoso padre Jacques Hamel – como que um despertar da identidade religiosa da maioria dos franceses e até a solidariedade expressa pelos muçulmanos transalpinos. Com grande sofrimento, continuamos a assistir a atos de brutalidade insensata que atingem pessoas inocentes na sua vida diária. Diante destes atos, do drama das migrações, da crise internacional, sobretudo da situação de conflito na Síria, a tentação do derrotismo é grande. Mas precisamente então é necessário continuar a crer no diálogo, que é essencial para toda a humanidade.

Como se pode levar em frente este diálogo no dia a dia?

Todos devemos aprofundar o conhecimento da própria religião e compreender que o diálogo não está reservado aos «especialistas». Todos devemos renunciar a atitudes de suspeita ou polémica em relação às nossas motivações. Praticando, na liberdade e no respeito pelo direito, tudo o que a maioria das religiões têm em comum – oração, jejum, esmola, peregrinação – demonstraremos que os crentes são um fator de paz para as sociedades humanas. No mundo precário de hoje, o diálogo entre as religiões não é um sinal de debilidade. Ele encontra a sua razão de ser no diálogo de Deus com a humanidade.

Gianluca Biccini

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12 de Novembro de 2019

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