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Diálogo e missão

· Simpósio no Brasil promovido pela CNBB ·

Aprofundar o diálogo ecumênico para viver a missão da Igreja de uma forma nova: foi o objetivo do congresso intitulado «Diálogo e missão. Os desafios do diálogo ecumênico e inter-religioso para a missão da Igreja», realizado em São Paulo de 23 a 25 de Janeiro. Promovido pela CNBB, fazia parte das iniciativas organizadas nos últimos anos para favorecer um maior conhecimento do concílio Vaticano II e, ao mesmo tempo, para definir os novos percursos pastorais no país.

O congresso foi idealizado como etapa de um caminho de aprofundamento das perspectivas delineadas pelo Vaticano II para a promoção do diálogo ecuménico e entre religiões, com a intenção clara de recuperar a centralidade destas perspectivas inclusive à luz das palavras e dos gestos do Papa Francisco. Evidenciou-se a relação entre o desenvolvimento do diálogo ecuménico e a missão da Igreja, ao retomar uma temática sobre a qual, nos últimos anos, foram numerosas as intervenções de bispos e teólogos brasileiros a favor de um ecumenismo diário, que procure um diálogo com todos os cristãos, a fim de enriquecer a missão das comunidades locais na sociedade brasileira. Precisamente para reafirmar a importância da dimensão ecuménica da missão, em São Paulo foi proposta uma leitura comparada e atualizada dos principais documentos do Conselho ecuménico das Igrejas e da Igreja católica, a partir do Vaticano II, sobre a relação entre ecumenismo e missão da Igreja; nesta leitura, entregue ao teólogo luterano Roberto Zwetsch, frisou-se que é fundamental a ação ecuménica na obra de evangelização por parte dos cristãos no século XXI numa sociedade cada vez mais secularizada e inter-religiosa. No Brasil, tal ação ecuménica assume um valor totalmente particular, inclusive em relação à presença de tantas comunidades pentecostais, muitas das quais não se reconhecem no diálogo ecuménico.

Além disso, durante o simpósio foi tratada a questão da definição dos percursos formativos capazes de fornecer a todos, não só a quantos querem ensinar teologia, um conhecimento aprofundado do estado do diálogo ecuménico e das suas incidências na pastoral quotidiana das Igrejas e comunidades cristãs; tal conhecimento deve favorecer uma reflexão sobre perspectivas, modalidades e finalidades de um diálogo entre religiões na sociedade contemporânea.

A relação com a formação e, mais em geral, com as instituições académicas, constituiu um ponto central do congresso, porque, sobretudo no intercâmbio das experiências das comunidades locais, não se trata de uma questão marginal sobre formas e conteúdos do ensino das ciências religiosas nas universidades estaduais e particulares, mas de um aspecto central na compreensão do que os cristãos podem e devem fazer juntos no Brasil para dar a conhecer um património ético e espiritual numa perspectiva ecuménica.

Nesta perspectiva colocaram-se os pronunciamentos de Elias Wolff e de Marcus Barbosa, os quais recordaram a importância de realizar o congresso na conclusão da semana de oração pela unidade dos cristãos, que este ano foi preparada pelos brasileiros. Os dois teólogos, que há anos colaboram com a Comissão episcopal para o ecumenismo e o diálogo inter-religioso, guiada por D. Francesco Biasin, bispo de Barra do Piraí-Volta Redonda, inspiraram-se numa releitura minuciosa dos documentos do Vaticano II. O conhecimento dos documentos conciliares permite que uma reflexão sobre os desafios que o ecumenismo está chamado a enfrentar hoje se enraíze na tradição da Igreja católica. O objetivo é contribuir para a definição de uma missão da Igreja, cada vez mais evangélica e quotidiana, a fim de abrir novos horizontes ao testemunho ecuménico de Cristo ressuscitado e à construção de uma sociedade fundada no acolhimento e no diálogo.

Riccardo Burigana

Edição em papel

 

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Praça De São Pedro

19 de Novembro de 2019

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