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Dezassete novos cardeais

· Criados pelo Pontífice durante o consistório ordinário público na basílica vaticana ·

Para debelar o vírus da inimizade que cresce entre os povos e se insinua até na Igreja

«Procurar transformar-nos em pessoas capazes de perdão e reconciliação», foi a «meta» indicada pelo Papa aos novos cardeais criados no consistório de 19 de novembro. Na basílica vaticana o Pontífice entregou a púrpura a dezassete eclesiásticos dos cinco continentes, embora o africano Sebastian Koto Khoarai, de 87 anos, não tenha podido enfrentar a viagem a Roma.

Particularmente tocante foi o abraço reservado ao último da lista, o pároco albanês Ernest Simoni, o mais idoso, de 88 anos, com uma longa história de perseguições sofridas. Em nome de todos, o Papa foi saudao pelo primeiro dos novos cardeais, o núncio apostólico na Síria, Mario Zenari, que se faz porta-voz dos sofrimentos do povo daquele país médio-oriental. E no final do rito todos juntos quiseram ir, guiados pelo Pontífice, ao mosteiro Mater Ecclesiae para se encontrar com Bento XVI.

Na alocução durante a celebração, Francisco frisou as «quatro etapas da mistagogia da misericórdia: amai, fazei o bem, abençoai e rezai». Ações, disse, que «facilmente realizamos com os nossos amigos». Mas «o problema surge quando Jesus nos apresenta os destinatários de tais ações: os inimigos», diante dos quais «a nossa atitude primária e instintiva é desqualificá-los, desacreditá-los, amaldiçoá-los, “demonizá-los”». E no entanto, observou, é com os inimigos que «nos encontramos diante de uma das características da mensagem de Jesus» para quem «o inimigo é alguém que devo amar», pois «no coração de Deus não há inimigos, só filhos», enquanto «nós erguemos muros, construímos barreiras e classificamos as pessoas».

Isto é ainda mais válido na nossa época «em que ressurgem epidemicamente nas sociedades a polarização e a exclusão». Além disso, «quem vive ao nosso lado não só possui a condição de desconhecido, imigrante ou refugiado» mas «torna-se uma ameaça. Inimigo, porque vem de uma terra distante ou porque tem outros costumes. Inimigo pela cor da pele, porque pensa de modo diverso e tem outro credo». Assim, «pouco a pouco as diferenças tornam-se» uma verdadeira «epidemia de inimizade». Eis, então, que «o vírus da polarização» acaba por permear «nossos modos de pensar, de sentir e de agir». Até na Igreja, concluiu, «não estamos imunes a isto e devemos prestar atenção para que tal atitude não ocupe o nosso coração».

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21 de Agosto de 2019

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