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Deus, os cristãos e o mundo

· Apresentada a Exortação apostólica «Verbum Domini» sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja ·

A Exortação apresenta à Igreja, aos membros das outras Igrejas e Comunidades cristãs, aos fiéis das Denominações religiosas não cristãs, assim como aos homens de boa vontade, os resultados da XII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre: A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, que teve lugar no Vaticano nos dias 5-26 de Outubro de 2008. No final da Assembleia, os Padres sinodais pediram ao Santo Padre Bento XVI que «oferecesse um documento sobre o mistério da Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, também à luz do Ano dedicado a São Paulo, Apóstolo das Nações, nos dois mil anos do seu nascimento» ( Proposição 1). A Exortação Apostólica constitui o resultado de tais votos que o Santo Padre Bento XVI acolheu de bom grado, servindo-se da contribuição do XII Conselho Ordinário da Secretaria Geral do mesmo Sínodo dos Bispos.

A Verbum Domini divide-se em três partes, seguindo a estrutura do tema da Assembleia sinodal: A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja. Por conseguinte, a primeira parte intitula-se Verbum Dei; a segunda, Verbum in Ecclesia; e a terceira, Verbum mundo . Evidentemente, o Documento começa com uma Introdução, que oferece indicações preliminares úteis, entre as quais a finalidade da mesma Exortação, e termina com a Conclusão, em que são resumidas as ideias fundamentais.

A finalidade da Verbum Domini é múltipla: Comunicar os resultados da XII Assembleia Geral Ordinária. Redescobrir a Palavra de Deus, fonte de constante renovação eclesial. Promover a animação bíblica de toda a pastoral. Tornar-se testemunhas da Palavra de Deus. Empreender uma nova evangelização, «na certeza da eficácia da Palavra divina» ( VD, 96). Favorecer o diálogo ecuménico. Amar cada vez mais a Palavra de Deus. A Exortação divide-se em três partes que, por sua vez, são compostas por alguns capítulos. Ela inspira-se no maravilhoso Prólogo do Evangelho de São João.

A primeira parte, Verbum Dei , sublinha o papel fundamental de Deus Pai, fonte e origem da Palavra (cf. VD, 20-21), assim como a dimensão trinitária da revelação. Subdivide-se em três capítulos. No primeiro, O Deus que fala, põe-se em evidência a vontade de Deus, de instaurar e manter um diálogo com o homem, no qual Deus toma a iniciativa e se revela de vários modos. Portanto, recorrendo à categoria da analogia , o Documento analisa diversos significados da Palavra divina. Deus fala por intermédio da criação, de modo particular do homem e da mulher, criados à sua imagem. Ele falou por meio dos profetas. Os livros do Antigo e do Novo Testamento constituem a sua Palavra testificada e divinamente inspirada. A Tradição viva da Igreja é também sua Palavra. A Palavra de Deus é inclusive o seu silêncio, que teve a expressão culminante na Cruz do Senhor Jesus (cf. VD, 21). Todos os significados da Palavra de Deus conduzem a Ele, Verbo encarnado, expressão completa e perfeita da Palavra de Deus. Por conseguinte, a Verbum Domini põe em evidência o aspecto cristológico da Palavra, ressaltando ao mesmo tempo também a sua dimensão pneumatológica, para salientar a sua fonte e ápice em Deus Pai. Nesta parte enfrenta-se a realação entre a Tradição e a Escritura, assim como o tema da inspiração e da verdade da Bíblia.

A resposta do homem ao Deus que fala é o título do segundo capítulo. O homem é chamado a entrar em Aliança com o seu Deus que o ouve e responde às suas interrogações. Ao Deus que fala, o homem responde mediante a fé. A oração mais indicada é a que se faz através das palavras que o próprio Deus revelou e que são conservadas escritas na Bíblia. Ela descreve com frequência o pecado do homem como a não-escuta da Palavra de Deus. Este pecado foi vencido na obediência radical de Jesus Cristo até à morte, e morte de cruz (cf. Fl 2, 8). A Virgem Maria, Mater Verbi e Mater fidei , oferece o exemplo do cumprimento perfeito da reciprocidade entre a Palavra de Deus e a fé.

O terceiro capítulo é dedicado ao tema A Hermenêutica da Sagrada Escritura na Igreja. Esta é a parte mais teórica de todo o Documento, mas muito importante para a recta compreensão da Palavra de Deus. A Sagrada Escritura deveria ser, como formulado pela Dei Verbum , a alma da Sagrada Teologia». A Igreja constitui o lugar originário da interpretação da Bíblia. Depois de algumas reflexões sobre o desenvolvimento da investigação bíblica e o Magistério da Igreja, apresenta-se a hermenêutica bíblica do Concílio Vaticano II que é necessário redescobrir também para evitar um certo dualismo da hermenêutica secularizada. Ele poderia levar a uma interpretação fundamentalista ou espiritualista da Sagrada Escritura. A recta hermenêutica exige a complementariedade do sentido literal e espiritual, uma harmonia entre a fé e a razão. Ao insistir sobre a unidade intrínseca da Bíblia, a Verbum Domini examina a relação entre o Antigo e o Novo Testamento, sem descuidar as chamadas páginas «obscuras» da Bíblia, concentrando-se depois sobre a relação entre os cristãos e os judeus, no que se refere às Sagradas Escrituras. Existe uma relação totalmente especial entre os cristãos e os judeus, que compartilham uma boa parte das Sagradas Escrituras, que os cristãos denominam Antigo Testamento. Além disso, para compreender de modo adequado a própria pessoa de Jesus Cristo, é necessário reconhecê-lo como filho do povo judeu, na sua cultura e experiência religiosa. A este propósito, foi significativa a participação, pela primeira vez no Sínodo, de um rabino (cf. VD, 4).

A Exortação Apostólica pós-sinodal medita também sobre a Bíblia e o ecumenismo, dado que a Sagrada Escritura é um importante vínculo de unidade entre os católicos e os demais cristãos, membros das Igrejas e Comunidades cristãs. A veneração da Bíblia e a administração do sacramento do baptismo representam laços fundamentais entre todos aqueles que acreditam num Deus Uno e Trino, Pai e Filho e Espírito Santo, cujo mistério foi revelado precisamente nas Sagradas Escrituras.

Em seguida, o Documento oferece válidas contribuições para um diálogo entre pastores, teólogos e exegetas, mas também sobre o delineamento dos estudos teológicos. A parte dedicada à hermenêutica da Sagrada Escritura termina mencionando alguns Santos, relevando que eles são os melhores intérpretes da Palavra de Deus.

A segunda parte, Verbum in Ecclesia , põe em relevo o facto de que, pela Providência divina, a Igreja é a Casa da Palavra de Deus que recebe o Verbo que se fez carne e que preparou a sua tenda no meio de nós (cf. Jo 1, 14). Esta parte subdivide-se em três capítulos. O primeiro, A Palavra de Deus e a Igreja , recorda que graças à Palavra de Deus e à acção sacramental, Cristo é um contemporâneo dos homens na vida da Igreja.

Liturgia, lugar privilegiado da Palavra de Deus , este é o título do segundo capítulo, que medita sobre a Palavra de Deus na Sagrada Liturgia. Ressalta-se aqui o nexo vital entre a Sagrada Escritura e os sacramentos, de maneira particular a Eucaristia, dado que a Liturgia da Palava constitui a primeira parte da Santa Missa. O Documento toma em consideração a Palavra de Deus e também os sacramentos da Reconciliação e da Unção dos Enfermos. O nexo entre os Sacramentos e a Palavra de Deus introduz a reflexão acerca da sacramentalidade da Palavra, que tem necessidade de um ulterior aprofundamento. Fazendo-se eco do pensamento dos Padres sinodais, a Verbum Domini evoca a importância do Leccionário, que a reforma do Concílio Vaticano II enriqueceu com abundantes leituras da Sagrada Escritura. Neste contexto, não se podia omitir a importância da proclamação da Palavra e do ministério do leitorado e, principalmente, da homilia, tema que tem importância notável na presente Exortação Apostólica pós-sinodal. A Verbum Domini sublinha, além disso, a grande relevância da Palavra de Deus e da Liturgia das Horas. Sucessivamente, oferece válidas sugestões para a animação litúrgica, a celebração e a proclamação da Palavra de Deus, o silêncio, o tempo litúrgico cristão, a exclusividade dos textos bíblicos na Liturgia, o canto biblicamente inspirado, a atenção particular aos cegos e aos surdos.

O terceiro capítulo é dedicado à Palavra de Deus na vida eclesial, pondo em evidência a importância da animação bíblica da pastoral, a dimensão bíblica da catequese, a formação bíblica dos cristãos, a Sagrada Escritura nas importantes assembleias eclesiais, a Palavra de Deus em relação às vocações em geral. Dedica-se uma atenção especial à Palavra de Deus e aos Pastores — bispos, presbíteros, diáconos, candidatos à Ordem sagrada — aos membros da vida consagrada, assim como aos fiéis leigos e, sobretudo, no seio do matrimónio e da família. Uma parte notável deste capítulo é reservada à leitura orante da Sagrada Escritura, de modo particular à Lectio divina e à oração mariana. Este capítulo termina com reflexões apropriadas sobre a Palavra de Deus e a Terra Santa, onde a Palavra de Deus se encarnou, foi revelada e ciosamente conservada nas suas formas oral e escrita.

A terceira parte, Verbum mundo , ressalta o dever que os cristãos têm de anunciar a Palavra de Deus no mundo em que vivem e trabalham. Ela subdivide-se em quatro capítulos. O primeiro, A missão da Igreja: anunciar a Palavra de Deus, medita sobre a missão da Igreja que tem como ponto de partida e de chegada o mistério de Deus Pai. O Verbo de Deus comunicou-nos a vida divina. A sua Palavra envolve-nos não apenas como destinatários, mas também como seus anunciadores. Com efeito, todos os baptizados são responsáveis pelo anúncio da Palavra de Deus, da qual deriva a missão da Igreja. Ela é orientada para o primeiro anúncio, ad gentes , àqueles que ainda não conhecem o Verbo, a Palavra de Deus, mas também àqueles que foram baptizados mas não foram suficientemente evangelizados e têm necessidade de uma nova evangelização para redescobrir a Palavra de Deus. A credibilidade do anúncio da Boa Nova depende do testemunho da vida cristã.

Palavra de Deus e compromisso no mundo: este é o título do segundo capítulo. Nele são indicadas algumas sugestões para uma animação da complexa realidade do mundo através da Palavra de Deus. Os cristãos são chamados a servir a Palavra de Deus nos irmãos mais pequeninos e, portanto, a comprometer-se na sociedade pela reconciliação, a justiça a paz entre os povos. A Palavra de Deus constitui o manancial de uma caridade concreta e criativa para aliviar os sofrimentos dos pobres no sentido material e espiritual. A Verbum Domini dirige-se com a luz da Palavra de Deus, aos jovens, aos migrantes, aos sofredores e aos pobres. Ela contém inclusive importantes conotações ecológicas, segundo a visão cristã da criação que é também, de maneira analógica, Palavra de Deus.

O terceiro capítulo é dedicado à Palavra de Deus e culturas, dado que a Bíblia é justamente sentida como um grande códice para a cultura da humanidade, nascente inesgotável de expressões artísticas até aos nossos dias. Por conseguinte, seria desejável que a Bíblia fosse melhor conhecida nas escolas e nas universidades, e que os meios de comunicação social se dedicassem cada vez mais à sua divulgação, usufruindo para isto de todas as modernas possibilidades técnicas. O tema da inculturação da Sagrada Escritura está vinculado inclusive às traduções e à difusão da Bíblia, que é preciso incrementar ulteriormente. De qualquer maneira, a Palavra de Deus tem necessidade de se manifestar nas culturas dos povos, mas ela supera abundantemente os limites das culturas humanas.

Palavra de Deus e diálogo inter-religioso é o tema do quarto capítulo. Depois de ter estabelecido o valor e a actualidade do diálogo inter-religioso, a Verbum Domini , à luz da Palavra de Deus que se revelou plenamente na Pessoa de Jesus Cristo, oferece válidas indicações a propósito do diálogo entre cristãos e muçulmanos, mas também com os fiéis pertencentes às outras Religiões não cristãs, no contexto da liberdade religiosa que implica não só a liberdade de professar a própria fé em privado e em público, mas também a liberdade de consciência, ou seja, de escolher a própria religião.

Na Conclusão, o Santo Padre Bento XVI reitera a exortação a todos os cristãos, «a comprometer-se para entrar cada vez mais em familiaridade com as Sagradas Escrituras» ( VD, 121). A Palavra de Deus impele para a missão, como demonstra o exemplo de São Paulo, Apóstolo das Nações. «Assim também hoje o Espírito Santo não cessa de chamar ouvintes e anunciadores convictos e persuasivos da Palavra do Senhor» ( VD, 122). Eles estão chamados a ser «anunciadores críveis da Palavra de salvação», comunicando «a fonte da verdadeira alegria... que brota da consciência de que só o Senhor Jesus tem palavras de vida eterna (cf. Jo 6, 68)» ( VD, 123). «Esta íntima relação entre a Palavra de Deus e a alegria é posta em evidência precisamente na Mãe de Deus, “Mater Verbi et Mater laetitiae”» ( VD, 124).

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23 de Setembro de 2019

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