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Deus no centro da comunicação

· Congresso na Universidade católica de Múrcia ·

Acomunicação da Igreja como desafio e oportunidade esteve no centro do terceiro Congresso internacional de jornalistas católicos, realizado na Universidade Católica de Santo Antonio de Múrcia, na Espanha, inaugurado pelo director de «L’Osservatore Romano» e encerrado com uma reflexão significativa de monsenhor Paul Tighe, secretário do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais.

Iniciativas como esta são muito úteis para melhorar a comunicação da Igreja, que se tornou difícil não apenas devido à adaptação cultural insuficiente de dois universos muito frequentemente opostos entre si — o dos mass media e o da Igreja — mas inclusive devido à atomização estéril de numerosas iniciativas mediáticas católicas, principalmente pela insistência em ressaltar o que as diferencia em relação àquilo que as une, na comum causa evangelizadora que lhes dá sentido.

O tema do Congresso resume a tarefa dos comunicadores cristãos: por um lado, unir com naturalidade duas realidades — a Igreja e o mundo dos mass media — entre as quais é infelizmente frequente a contraposição; e por outro, ajudar a Igreja a assumir este compromisso cada vez mais em chave de responsabilidade, e não de angústia, ao serviço daquela nova evangelização para a qual Bento XVI nos convida, no novo cenário da «sociedade da informação». Este último âmbito tornou-se o paradigma de um mundo secularizado, sobretudo no Ocidente, onde Deus foi relegado à marginalidade, quando não à irrelevância total. Para os mass media a religião é, segundo a sua lógica parcial, um conteúdo alheio, uma vez que pertence à «vida particular», a não ser que contenha em si as cores da «crónica», ou então a omnipresente consideração «política».

Em Santiago de Compostela, Bento XVI lançou uma das mensagens mais importantes de todo o seu pontificado, aquela que deve ser a missão prioritária da Igreja: «A sua contribuição centra-se numa realidade tão delicada e decisiva como esta: que Deus existe e que é Ele quem nos deu a vida. Só Ele é absoluto, amor fiel e indeclinável, meta infinita que resplandece por detrás de todos os bens, verdades e belezas admiráveis deste mundo».

O Papa reiterou este mesmo conceito na sua carta que pôs fim à polémica sobre a remissão da excomunhão aos quatro prelados lefebvrianos: na nossa época, «a prioridade que se encontra acima de todas é tornar Deus presente neste mundo e abrir os homens ao acesso a Deus», e «conduzir os homens rumo ao Deus que nos fala na Bíblia: esta é a prioridade suprema e fundamental da Igreja e do Sucessor de Pedro neste tempo».

Assim, uma das tarefas principais da comunicação cristã consiste em fazer emergir na agenda dos mass media a dimensão transcendente da existência humana: o plano religioso, sem o qual não compreendemos plenamente a nós mesmos nem o mundo. Em definitivo, trata-se de pôr Deus no seu lugar, no centro dos mass media, porque Ele está no âmago da vida humana.

Esta reivindicação nasce não apenas em virtude do direito inviolável da presença de Deus no humano, mas também para o não menos importante direito da pessoa a viver a própria dimensão religiosa também na liberdade de expressão. Neste sentido, é particularmente iluminadora a insistência de Bento XVI, ao exortar a voltar ao essencial na proposta da Igreja ao mundo de hoje, ou seja, a da existência de Deus como fundamento de toda a realidade. Como o Papa recordou no discurso ao episcopado latino-americano em Aparecida: «O que é o real? São “realidades” somente os bens materiais, os problemas sociais, econômicos e políticos? Aqui está precisamente o grande erro das tendências predominantes no último século, erro destruidor, como demonstram os resultados tanto dos sistemas marxistas como também dos capitalistas. Falsificam o conceito de realidade com a deturpação da realidade fundante e por isso decisiva, que é Deus. Quem exclui Deus do seu horizonte falsifica o conceito de “realidade” e, por conseguinte, só pode acabar em caminhos equivocados e com resultados destruidores. A primeira afirmação fundamental é, pois, a seguinte: somente quem reconhece Deus, conhece a realidade e pode corresponder-lhe de modo adequado e realmente humano. A verdade desta tese resulta evidente diante do fracasso de todos os sistemas que põem Deus entre parênteses».

Para obter uma presença normal do elemento religioso na agenda comunicativa, em primeiro lugar é necessário reivindicar a importância da informação religiosa como género especializado, com profissionais formados; em segundo lugar, a Igreja deve promover entre as suas fileiras a existência de profissionais da comunicação, católicos coerentes, e também a criação de meios de comunicação propriamente católicos, para dar deste modo representatividade social à visão cristã do mundo e evitar que desapareça da operatividade social e cultural, da influência sobre o pensamento e sobre a agenda pública.

Assim conseguiremos recuperar das ruínas da modernidade e do domínio do relativismo a semântica das grandes verdades do homem e da religião, da transcendência e da fé, ausente da comunicação hodierna, ajudando os meios de comunicação a recuperar o sentido da verdadeira realidade.

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20 de Outubro de 2019

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