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Da traição ao perdão, do ódio ao amor

· Via-Sacra no Coliseu presidida por Bento XVI na noite de Sexta-Feira Santa ·

Com a morte de Cristo, a cruz, símbolo dos nossos insucessos e das nossas amarguras, tornou-se «um novo início» no qual «já brilha o esplendor vitorioso da Páscoa». Disse o Papa no final da Via-Sacra presidida no Coliseu na noite de 2 de Abril, Sexta-Feira Santa.

Queridos Irmãos e Irmãs!

Em oração, com ânimo recolhido e comovido, percorremos esta noite o caminho da Cruz. Com Jesus subimos ao Calvário e meditámos sobre o seu sofrimento, redescobrindo como é profundo  o amor que Ele teve e tem por nós. Mas neste momento não queremos limitar-nos a uma compaixão ditada apenas pelo nosso frágil sentimento; ao contrário, queremos sentir-nos partícipes do sofrimento de Jesus, queremos acompanhar o nosso Mestre partilhando a sua Paixão na nossa vida, na vida da Igreja, pela vida do mundo, porque sabemos que precisamente na Cruz do Senhor, no amor sem limites, que se doa totalmente, está a fonte da graça, da libertação, da paz e da salvação.

Os textos, as meditações e as orações da Via Crucis ajudaram-nos a olhar para este mistério da Paixão para aprender a grande lição de amor que Deus nos deu na Cruz, para que nasça em nós um renovado desejo de converter o nosso coração, vivendo todos os dias o mesmo amor, a única força capaz de mudar o mundo.

Esta tarde contemplámos Jesus no seu rosto cheio de dor, escarnecido, ultrajado, desfigurado pelo pecado do homem: amanhã à noite contemplá-lo-emos no seu rosto cheio de júbilo, radiante e luminoso. Desde quando Jesus desceu ao sepulcro, o túmulo e a morte já não são lugar sem esperança, onde a história se encerra na falência mais total, onde o homem toca o limite extremo da sua impotência. A Sexta-feira Santa é o dia da esperança maior, a que se maturou na Cruz, enquanto Jesus morre, enquanto exala o último respiro, bradando em voz alta: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito» (Lc 23, 46). Entregando a sua existência «doada» nas mãos do Pai, Ele sabe que a sua morte se torna fonte de vida, como a semente no terreno se deve romper para que a planta possa nascer: «Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, permanece só; mas se morrer, dará muito fruto» (Jo 12, 24). Jesus é o grão de trigo que cai na terra, parte-se, quebra-se, morre e por isso pode dar fruto. A partir do dia em que Cristo nela foi elevado, a Cruz, que parece o sinal do abandono, da solidão, da falência tornou-se um novo início: da profundeza da morte elevou-se a promessa da vida eterna. Na Cruz já brilha o esplendor vitorioso do alvorecer do dia de Páscoa.

No silêncio desta noite, no silêncio que envolve o Sábado Santo, tocados pelo amor infinito de Deus, vivemos na expectativa do alvorecer  do terceiro dia, o alvorecer da vitória do Amor de Deus, o alvorecer da luz que permite que os olhos do coração vejam de modo novo a vida, as dificuldades, o sofrimento. Os nossos insucessos, as nossas desilusões, as nossas amarguras, que parecem marcar o abalo de tudo, são iluminados pela esperança. O acto de amor da Cruz é confirmado pelo Pai e a luz resplandecente da Ressurreição tudo envolve e transforma: da traição pode nascer a amizade; da renegação o perdão, do ódio o amor.

Concede-nos, Senhor,  carregar com amor a nossa cruz, as nossas cruzes quotidianas, na certeza de que elas são iluminadas pelo resplandecer da tua Páscoa. Amém.

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22 de Setembro de 2019

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