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Corrupção, tensões étnicas e egoísmo são obstáculos para a paz

· O Papa recebeu os Bispos do Sudão em visita «ad limina Apostolorum» ·

A paz poderá lançar «raízes profundas», unicamente se se combatem a corrupção, as tensões étnicas, a indiferença e o egoísmo, disse Bento XVI aos membros da Conferência Episcopal do Sudão, recebidos em audiência no Vaticano na manhã de 13 de Março, por ocasião da tradicional visita «ad limina Apostolorum». Depois da homenagem recebida da parte de D. Deng Majak, que lhe dirigiu um discurso em nome de todos os Prelados presentes, o Sumo Pontífice proferiu estas palavras.

Eminência

Estimados Irmãos Bispos

É com grande alegria que vos dou as boas-vindas, Bispos do Sudão, por ocasião da vossa visita quinquenal aos túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo. Estou grato a D. Deng Majak pelas amáveis palavras que me dirigiu em vosso nome. No espírito de comunhão no Senhor que nos une como sucessores dos Apóstolos, uno-me a vós em acção de graças pelo «melhor dom» (cf. 1 Cor 12, 31) da caridade cristã, que é evidente nas vossas vidas e no serviço generoso dos sacerdotes, dos religiosos, das religiosas e dos fiéis leigos do Sudão. A vossa fidelidade ao Senhor e os frutos da vossa labuta no meio das dificuldades e dos sofrimentos oferecem um testemunho eloquente do poder da Cruz, que resplandece através das nossas limitações e debilidades humanas (cf. 1 Cor 1, 25-27).

Bem sei como vós e os fiéis do vosso país aspiram à paz, e com quanta paciência estais a trabalhar pelo seu restabelecimento. Alicerçados na vossa fé e esperança em Cristo, Príncipe da Paz, espero que encontreis sempre no Evangelho os princípios necessários para modelar a vossa pregação e o vosso ensinamento, os vossos juízos e as vossas obras. Inspirados por tais princípios e fazendo ressoar as justas aspirações de toda a comunidade católica, tendes falado em uníssono na rejeição de «qualquer retorno à guerra» e no apelo ao estabelecimento da paz a todos os níveis da vida nacional (cf. Declaração dos Bispos do Sudão, For a Just and Lasting Peace [Para uma paz justa e duradoura], n. 4).

Se a paz consiste em lançar raízes profundas, é necessário envidar esforços concretos para diminuir os factores que contribuem para o mal-estar, particularmente a corrupção, as tensões étnicas, a indiferença e o egoísmo. Sem dúvida, iniciativas neste sentido demonstrar-se-ão fecundas, se estiverem fundamentadas na integridade, num sentido de fraternidade universal e nas virtudes da justiça, da responsabilidade e da caridade. Tratados e outros acordos, pedras angulares indispensáveis no processo de paz, só produzirão fruto se forem inspirados e acompanhados pelo exercício de uma liderança madura e moralmente justa.

Exorto-vos a haurir força da vossa recente experiência na Assembleia Especial para a África do Sínodo dos Bispos, enquanto continuais a pregar a reconciliação e o perdão. Os efeitos da violência podem levar anos para ser debelados, contudo a mudança do coração, que é a condição indispensável para uma paz justa e duradoura, deve ser implorada desde já como uma dádiva da graça de Deus. Como anunciadores do Evangelho, tendes procurado incutir no vosso povo e na sociedade um sentido de responsabilidade em relação às gerações presentes e vindouras, encorajando o perdão, a aceitação recíproca e o respeito pelos compromissos assumidos. De igual modo, tendes trabalhado pela promoção dos direitos humanos fundamentais através da prática da lei, exortando à aplicação de um modelo integral de desenvolvimento económico e humano. Aprecio tudo quanto a Igreja no vosso país está a realizar em vista de assistir os pobres a viver com dignidade e amor-próprio, de ajudá-los a encontrar um trabalho a longo prazo e de os tornar capazes de oferecer a sua própria contribuição à sociedade.

Como sinal e instrumento de uma humanidade restabelecida e reconciliada, desde já a Igreja experimenta a paz do Reino através da sua comunhão no Senhor. Que a vossa pregação e a vossa actividade pastoral continuem a ser inspiradas por uma espiritualidade de comunhão que une mentes e corações em obediência ao Evangelho, pela participação na vida sacramental da Igreja e pela fidelidade à vossa autoridade episcopal. O exercício de tal autoridade jamais deveria ser visto «como algo impessoal ou burocrático, precisamente porque é uma autoridade que deriva do testemunho» (cf. Pastores gregis, 43). Por este motivo, vós mesmos deveis ser os primeiros mestres e testemunhas da nossa comunhão na fé e no amor de Cristo, compartilhando iniciativas, ouvindo os vossos colaboradores, ajudando os sacerdotes, os religiosos, as religiosas e os fiéis leigos a aceitar-se e a apoiar-se uns aos outros como irmãos e irmãs, sem distinção de raça ou de grupo étnico, num generoso intercâmbio de dons.

Como parte significativa deste testemunho, encorajo-vos a dedicar as vossas energias ao fortalecimento da educação católica e, deste modo, à preparação dos leigos, em particular para oferecerem um testemunho convincente de Cristo em todos os aspectos da família e da vida social e política. Trata-se de uma tarefa à qual a Universidade de Santa Maria de Juba e os movimentos eclesiais podem oferecer uma contribuição significativa. Depois dos pais, os catequistas constituem o primeiro elo na corrente de transmissão do precioso tesouro da fé. Exorto-vos a prover à sua formação e às suas necessidades.

Finalmente, gostaria de manifestar o meu apreço pelos vossos esforços em vista de manter bons relacionamentos com os seguidores do islão. Enquanto trabalhais para promover a cooperação nas iniciativas concretas, encorajar-vos-ia a salientar os valores que os cristãos compartilham com os muçulmanos, como a base para aquele «diálogo da vida», que é um primeiro passo essencial rumo ao genuíno respeito e entendimento inter-religioso. A mesma abertura e o mesmo amor deveriam ser manifestados às pessoas pertencentes às religiões tradicionais.

Prezados Irmãos Bispos, através de vós transmito cordiais saudações aos sacerdotes e aos religiosos do vosso país, às famílias e, de modo particular, às crianças. É com grande carinho que vos confio à intercessão de Santa Bakhita e de São Daniel Comboni, bem como à salvaguarda de Maria, Mãe da Igreja. Concedo cordialmente a todos a minha Bênção apostólica, como penhor de sabedoria, júbilo e fortaleza no Senhor.

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23 de Setembro de 2019

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