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Conversão do pensamento

· ​Missa em Santa Marta ·

«Converter o pensamento», além das «obras e dos sentimentos», para «mudar o estilo de pensar» na convicção de que «a fé não é um espetáculo»: eis a sugestão proposta pelo Papa Francisco para a Quaresma, na missa celebrada na manhã de 5 de março em Santa Marta. Porque, afirmou, «é importante não só o que penso mas como penso».

«Neste tempo de Quaresma, tempo de conversão, hoje a Igreja faz-nos refletir sobre a conversão do pensamento» observou o Pontífice. Sim «também o pensamento deve converter-se: não só pelo que se pensa mas pelo modo como se pensa». E assim precisamente «também o estilo de pensamento deve converter-se».

De resto, afirmou Francisco, «a Igreja diz-nos que as nossas obras devem converter-se e fala-nos do jejum, da esmola, da penitência: é uma conversão das obras». Trata-se substancialmente, disse o Papa, de «praticar obras novas, com o estilo cristão, o estilo que vem das Bem-aventuranças» como são apresentadas por Mateus no capítulo 25 do seu Evangelho. Portanto, é preciso aplicar à nossa vida o estilo das bem-aventuranças.

Mas «a Igreja fala-nos também da conversão dos sentimentos» explicou Francisco, porque «também os sentimentos devem converter-se: pensemos por exemplo na parábola do bom samaritano» que nos chama a «converter-nos à compaixão».

Portanto, «sentimentos cristãos», afirmou o Papa, juntamente com a «conversão das obras, dos sentimentos mas, hoje» a Igreja «fala-nos da “conversão do pensamento”: não do que pensamos mas também do modo como pensamos, do estilo do pensamento». Desta forma convém questionar-se: «Penso com um estilo cristão ou com um estilo pagão?».

Precisamente «esta é a mensagem que hoje a Igreja nos transmite» observou o Pontífice, referindo-se às «duas histórias» propostas pela liturgia que «nos ajudam a compreender. Antes de tudo, explicou refletindo sobre o trecho bíblico tirado do segundo livro dos Reis (5, 1-15), «Naaman, o sírio, que vai ter com Eliseu para ser curado», mas «quando ouve o que o profeta lhe diz para fazer, irrita-se, indigna-se e quer retirar-se sem o fazer» dizendo «é uma brincadeira, ele zomba de mim, nós temos rios mais bonitos do que este Jordão». E explicou Francisco, «serão os servos, que têm um sentido da realidade muitas vezes mais correto, que lhe disseram “experimenta”», a imergir-te sete vezes no rio Jordão para te curares da lepra.

A questão, afirmou o Papa, é que Naaman «esperava o espetáculo, pensava que Deus viesse só no espetáculo e, dentro do espetáculo» esperava também «a cura». Com efeito, lê-se no trecho bíblico que às palavras de Eliseu «Naaman despeitado retirou-se dizendo “pensava que ele viria receber-me e diante de mim invocaria o Senhor, seu Deus, colocaria a sua mão no lugar infetado pela lepra e curar-me-ia”».

Mas «o estilo de Deus é outro: cura de outro modo» advertiu o Pontífice. E «devemos aprender a pensar num novo estilo», «Devemos converter a maneira de pensar».

«O mesmo acontece com Jesus» explicou Francisco em relação ao trecho evangélico de Lucas (4, 24-30): «Jesus volta a Nazaré, vai à sinagoga e como era costume, oferecem-lhe o livro para o ler e ele lê aquele excerto de Isaías e por fim diz: “Hoje esta palavra foi realizada aqui, cumpriu-se”».

Em particular, afirmou o Papa, «o texto antes daquele de hoje, a primeira parte, diz que as pessoas olhavam para ele, estavam admiradas – «que bom, o que diz, que bom!» – estavam contentes». Mas, prosseguiu, «nunca falta um mexeriqueiro que começa a dizer “este é o filho do carpinteiro, o que nos ensina, em qual universidade estudou?» – «Sim, é o filho de José». E assim, disse Francisco, «começaram a trocar as opiniões e a atitude das pessoas muda: querem matá-lo». Passa-se «da admiração, do espanto, para a vontade de o matar».

O facto, prosseguiu o Papa, é que «também eles» que estavam na sinagoga de Nazaré «queriam o espetáculo» por parte de Jesus e com efeito diziam «que faça alguns milagres, como dizem que fez na Galileia, e nós acreditaremos». Eis, ao contrário, que Jesus explica como estão as coisas: «Em verdade digo-vos: nenhum profeta é bem aceite na sua pátria».

Na realidade, observou o Papa, «nós não queremos dizer que algum de nós pode corrigir-nos: deve vir alguém com o espetáculo para nos corrigir». Mas «a religião não é um espetáculo, a fé não é um espetáculo: é a palavra de Deus e o Espírito Santo que age nos corações».

«A Igreja hoje convida-nos a mudar o modo de pensar, o estilo de pensar» insistiu o Pontífice. A ponto que «poderás recitar o Credo inteiro inclusive todos os dogmas da Igreja, mas se não o fizeres com o espírito cristão de nada serve». Porque «não só é importante o que penso mas o modo como penso». Então, sugeriu Francisco, perguntemo-nos «com qual espírito pensamos: com espírito cristão ou com espírito mundano?». E «o mesmo pensamento tem um valor muito diverso tanto de um lado como do outro».

Eis a importância da «conversão do pensamento», do «pensar como cristão». E «o Evangelho está cheio disto»: por exemplo «quando Jesus diz continuamente “foi-vos dito aquilo, mas eu digo-vos isto” muda o estilo do pensamento». Acontece o mesmo «quando diz ao povo, falando dos doutores da lei, “fazei o que vos dizem mas não o que fazem; acreditai em tudo o que vos ensinam mas não no seu modo de acreditar”». Precisamente esta é «a conversão do pensamento».

Na realidade, reconheceu Francisco, «não é habitual que nós pensemos deste modo» e por esta razão «também o modo de pensar, a maneira de acreditar deve ser convertida». Concretamente o Papa propôs algumas questões a si mesmo: «Com qual espírito eu penso? Com o espírito do Senhor ou com o espírito próprio, o espírito da comunidade, do grupinho, da classe social ou do partido político ao qual pertenço? Com qual espírito eu penso?». Desta forma, verificando «se penso deveras com o espírito de Deus, devo pedir a graça de discernir quando penso com o espírito do mundo e quando penso com o espírito de Deus». E por isso, concluiu Francisco, é importante pedir a Deus também «a graça da conversão do pensamento».

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20 de Novembro de 2018

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