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​Contra o vírus da indiferença

· ​O Papa pediu para manter viva a memória a fim de combater antissemitismo e discriminação ·

Um novo apelo ao empenho para debelar o vírus da indiferença «que contagia de maneira perigosa os nossos tempos» foi lançado pelo Papa na manhã de segunda-feira, 29 de janeiro, durante a audiência – realizada na Sala do Consistório – aos participantes numa conferência sobre a luta ao antissemitismo e aos crimes relacionados com o ódio antissemita.

Sublinhando «a responsabilidade dos Estados, instituições e indivíduos» em contrastar todas as formas de ódio e de discriminação, o Pontífice afirmou que «ser responsáveis significa ser capazes de dar respostas». Com efeito, não se trata apenas «de analisar as causas da violência e de rejeitar as suas lógicas perversas, mas de estar prontos e ativos para responder». Porque, explicou Francisco, «o inimigo contra o qual lutar não é somente o ódio, em todas as suas formas mas, indo mais à raiz, a indiferença»: um verdadeiro «vírus que contagia de maneira perigosa a nossa época, época em que estamos cada vez mais conectados com os outros, mas sempre menos atentos aos outros». Esta «raiz perversa», admoestou o Papa, produz somente «desespero e silêncio», como revela o episódio bíblico de Caim e Abel e como demonstra o «silêncio ensurdecedor» que envolve o que permanece do lager de Auschwitz-Birkenau, onde Francisco foi em julho de 2016: «um silêncio perturbador – recordou – que deixa espaço só às lágrimas, à oração e ao pedido de perdão». Qual é, então, a «vacina» contra este «vírus»? O Pontífice sugeriu que se mantenha viva a chama da memória, evidenciando que nela há «a chave de acesso ao futuro, e é nossa responsabilidade entregá-la dignamente às jovens gerações».

Para construir a nossa história, que será juntos ou não será possível, precisamos de uma memória comum, viva e confiante, que não permaneça aprisionada no ressentimento mas, embora atravessada pela noite do sofrimento, se abra à esperança de uma nova alvorada», recomendou Francisco. E neste percurso «a Igreja deseja recordar e caminhar juntamente», ciente do «património que ela tem em comum com os judeus» – disse evocando as palavras da Nostra aetate – e convicta, «não por motivos políticos, mas por religiosa caridade evangélica», da necessidade de deplorar «os ódios, as perseguições e todas as manifestações do antissemitismo contra os judeus em todas as épocas e por qualquer pessoa».

Daqui o convite «a fazer fermentar uma cultura da responsabilidade, da memória e da proximidade, e a estabelecer uma aliança contra a indiferença, contra qualquer indiferença». Aliança pela qual «servirão certamente de ajuda as potencialidades da informação, mas ainda mais importante será a formação». De facto, é urgente «educar as jovens gerações a engajarem-se ativamente na luta contra os ódios e as discriminações, mas também a superar as contraposições do passado e a nunca se cansarem de procurar o outro».

Discurso do Papa 

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18 de Agosto de 2019

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