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Com lágrimas nos olhos

A Igreja, que há vinte anos saiu do inverno ensanguentado da perseguição – e das catacumbas às quais a obrigou um regime ditatorial comunista e ostensivamente ateu – tem o rosto de dois octogenários marcados pelo sofrimento mas não obstante tudo serenos: o do padre Ernest Simoni, 84 anos e da irmã Marije Kaleta, 85. Os seus testemunhos durante o encontro com os sacerdotes, religiosos e representantes do mundo laico, realizado na nova catedral de Tirana intitulada a São Paulo, marcaram o momento mais comovedor da visita do Papa Francisco. 

Comoção até às lágrimas para o Pontífice no final da narração do sacerdote. Torturado e condenado à morte como inimigo do povo, pena que sucessivamente foi comutada em prisão, pe. Ernest – um dos dois únicos sacerdotes ainda em vida dos poucos sobreviventes à perseguição – passou 27 anos em vários campos de concentração e nos trabalhos forçados. «Durante o cárcere celebrei a missa em latim de memória, assim como confessei e distribuí a comunhão escondido», recordou.

Com lágrimas nos olhos, entre os aplausos intermináveis dos presentes, todos visivelmente emocionados, Francisco ajudou o sacerdote a erguer-se, o qual se tinha ajoelhado para lhe beijar a mão, abraçou-o longamente, beijando-lhe por sua vez a mão. Instantes de grande intensidade que continuaram com a narração da irmã Marije. Depois de ter vivido sete anos no convento das religiosas estigmatinas, foi obrigada a professar a própria fé no escondimento, sem contudo renunciar ao testemunho. O Papa abraçou-a também demoradamente. E depois, no momento da homilia, na meditação durante a recitação das vésperas, pôs de lado o texto preparado – foi a única vez durante a jornada – e pronunciou um discurso improvisado, tal era a comoção que lhe causaram os testemunhos. Uma reflexão ditada pelo coração, concluída com uma constatação: «Voltemos para casa, pensando: hoje abraçámos os mártires».

Gaetano Vallini

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18 de Agosto de 2019

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