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Com a Igreja ao lado do Papa

· Entrevista ao Cardeal decano ·

«Já é um contraste cultural: o Papa encarna verdades morais que não são aceites e assim as faltas e os erros dos sacerdotes são usados como armas contra a Igreja». Levanta a voz o Cardeal Angelo Sodano, Decano do Colégio Cardinalício, que no início da missa do dia de Páscoa exprimiu a Bento XVI o afecto e a fidelidade de todos os católicos. «Por detrás dos injustos ataques ao Papa – ressalta na entrevista concedida ao nosso jornal – existem visões da família e da vida contrárias ao Evangelho. Agora, contra a Igreja é brandida a acusação de pedofilia. Primeiro, foram as batalhas do modernismo contra Pio X, depois a ofensiva contra Pio XII pelo seu comportamento durante o último conflito mundial e por fim,  contra Paulo VI pela Humanae vitae ».

A sua intervenção, na manhã de Páscoa, pode ser lida como uma reacção à campanha difamatória contra o Papa, intensificada nestes dias pelas acusações a pretexto de não ter falado, durante os ritos pascais, das vítimas de abusos sexuais?

Diante destes ataques injustos dizem-nos que estamos a errar a estratégia, que deveríamos reagir de modo diverso. A Igreja tem o seu estilo e não adopta os métodos que hoje são usados contra o Papa. A única estratégia que temos vem do Evangelho.

Na sua opinião,  como vive a comunidade cristã esta prova?

Sente-se ferida, justamente, quando se tenta envolvê-la na sua totalidade nas vicissitudes, tão graves quão dolorosas, de algum sacerdote, transformando culpas e responsabilidades individuais em culpa colectiva com um exagero verdadeiramente  incompreensível. Na minha intervenção não fiz mais do que dar voz ao povo de Deus: ao Colégio Cardinalício,  antes  de tudo, que é inseparável do Romano Pontífice; mas também aos bispos e aos 400.000 sacerdotes. Sim, quis falar expressamente dos pastores que passam a sua vida ao serviço de Deus e da Igreja. Se algum ministro foi infiel não se pode nem se deve generalizar. Certamente, sofremos com isso, e Bento XVI pediu desculpa várias vezes. Mas não é culpa de Cristo se Judas traiu. Não é culpa de um bispo se um seu sacerdote se manchou com culpas graves. E, com certeza, não é responsável o Pontífice.

A Igreja inteira está com o Papa: era esta a sua mensagem?

As minhas palavras estavam inseridas na liturgia da Páscoa. É lógico que nas festas mais significativas do ano uma família se estreite ao redor do próprio pai. Portanto, considerei que esta fosse uma ocasião oportuna para confirmar os profundos vínculos de unidade que unem todos os membros da Igreja à volta daquele que o Espírito Santo colocou a guiar a comunidade dos crentes. Da minha parte, como Decano do Colégio Cardinalício, considerei  justo fazer aquela intervenção. Como cada cardeal, tenho a missão de estar sempre ao lado do Papa e de servir a Igreja usque ad effusionem sanguinis . Sinto um dever de reconhecimento por Bento XVI pela dedicação apostólica com que presta o seu quotidiano serviço à Igreja. Aquelas palavras também nasceram de uma exigência pessoal, do profundo afecto que tenho pelo Vigário de Cristo.

Como preparou a sua intervenção?

Além de ser um testemunho de proximidade ao Papa, o meu foi um convite à serenidade. É o apelo que o própio Papa, em primeiro lugar e continuamente, dirige à Igreja e ao mundo, na esteira dos seus grandes Predecessores na Cátedra de Pedro. Não nos surpreendamos das perseguições porque Jesus já tinha dito aos seus apóstolos que «não é o servo maior que o seu senhor. Se a Mim Me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a Minha palavra, também guardarão a vossa», como se lê no Evangelho segundo João.

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13 de Dezembro de 2019

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