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Cinco minutos de sabedoria

· Missa em Santa Marta ·

No turbilhão de uma vida em que o homem tende a confiar «no poder», «na saúde», «nas riquezas», ele vai em frente, «temerário», pensando que pode fazer o que quiser. E perde consciência da «relatividade da vida». Ao contrário, é necessário – sugeriu o Papa Francisco na homilia da missa celebrada em Santa Marta na manhã de quinta-feira 28 de fevereiro – ter a sabedoria de parar, todos dos dias, nem que seja 5 minutos, para fazer um exame de consciência que reconstrua uma correta hierarquia de valores e permita recomeçar mais «soberanos de si mesmos».

A reflexão do Pontífice inspirou-se nas leituras do Evangelho do dia (Marcos 9, 41-50) no qual se narra o episódio em que Jesus oferece um «conjunto de conselhos». Destes, sublinhou Francisco, «o último é um bom conselho: «Tende sal em vós mesmos e vivei em paz uns com os outros”». Com a expressão “Tende sal”, explicou o Papa, «o Senhor tenciona dizer: tende sabedoria, que a vossa vida seja sábia». Um convite necessário, porque «a sabedoria não é óbvia», não está garantida, por exemplo, só pelo facto de ter «frequentado a universidade». Não, «a sabedoria é algo de todos os dias», que deriva da reflexão sobre a vida e da capacidade de «tirar as consequências da experiência de vida».

Trata-se de um aspeto analisado pela primeira leitura (Sirácide 5, 1-10). O trecho começa precisamente com a expressão: «Não confiar...». No quê? Questionou-se o Pontífice: «No teu poder, na tua saúde, nas tuas riquezas, nas coisas que possuis... Isto é muito bom, mas não confies nisto, porque só estas coisas não te darão o sucesso». Recita a Escritura: «Não confies nas tuas riquezas e não digas: “Chego a mim mesmo”». É como ler, observou o Papa, «um conselho de um pai ao filho, de uma avô ao neto», trata-se de «um conselho sábio», ou seja: «Pára todos os dias um pouco e pensa em como viveste aquele dia. Não sigas o teu instinto, a tua força, cedendo as paixões do teu coração».

De facto, disse o Pontífice, aprofundando o conceito, «todos temos paixões. Mas cuidado, domina as paixões. Pega nelas, as paixões não são coisas ruins, são, por assim dizer, o “sangue” para realizar muitas coisas boas, mas se não fores capaz de dominar as tuas paixões, elas te dominarão».

Eis então o apelo fervoroso: «Pára, pára». Não devemos deixar que a soberba nos domine: «Não devemos dizer: “Quem me dominará? Quem conseguirá submeter-me por aquilo que fiz?”» porque, acrescentou, «nunca se sabe o que vai acontecer na vida».

Refletindo sobre a «relatividade da vida», o Papa recordou, parafraseando-os, os versículos de um salmo que o «impressiona muito» (37, 35-36): «Ontem passei e vi um homem; hoje voltei a passar e já não estava ali». E sugeriu: «Pensemos nos nossos avós. Talvez poucos de nós ainda têm avós, mas eles viviam a vida concreta de todos os dias, e hoje já não estão vivos». E ainda: «Os nossos netinhos dirão: “Ah, os nossos avós, nós. E já não estaremos vivos...». Acrescentando um conselho para cada homem: «Pára, pensa, não és eterno», esta é «a sabedoria da vida».

O homem não deve deixar-se vencer pela tentação de dizer: «Mas pode-se fazer um pouco de tudo, porque pequei... e o que me aconteceu?», não deve ser «tão temerário, tão audaz a ponto de pensar» que de uma forma ou de outra ele se sairá bem: «Não se pode contar com o de que “Ah, desenrasquei-me até agora, e vou continuar assim...”. Não. Safas-te, sim, mas agora não se sabe... Não podes dizer: “A compaixão de Deus é grande, perdoar-me-á os meus pecados”, e deste modo vou em frente fazendo o que me apetece. Não podes dizer assim».

O que fazer? O conselho é tirado do trecho do livro do Sirácide, que o Papa considera como «o conselho final deste pai, deste “avô”: «Não esperes para te converter ao Senhor”, não esperes para te converter, mudar de vida, aperfeiçoar a tua vida, extirpar de ti aquela erva daninha, todos temos...». Uma clara admoestação para o homem contida na Escritura: «Não esperes para te converter ao Senhor e não adies, pois a ira do Senhor explodirá de repente». Assim como se lê: Ontem passei e vi um homem; hoje voltei e já não estava ali» e ainda: «Não confies em riquezas injustas, não te serão úteis no dia da desventura».

Trata-se, sublinhou o Papa, de «uma palavra positiva, que nos ajudará muito: “Não esperes para te converter ao Senhor”, não adies a mudança da tua vida». Portanto, «se tiveres este defeito, antes de ir dormir, pára um minuto; examina a tua consciência e pega nas rédeas, deves comandar». Cada homem é chamada a fazer um exame de consciência e a dizer a si mesmo: «Sim, errei, falhei várias vezes, tive muitos insucessos, mas amanhã gostaria que isto não acontecesse». É necessário «tomar consciência das próprias falências. Todos as temos e todos os dias, e muitas. Mas não te assustes, unicamente não penses que são coisas comuns, que são o sal de cada dia, isso não».

Se, acrescentou o Pontífice, «eu tomar as rédeas desta paixão e for o dominado, sarei o responsável por estas minhas ações». São suficientes «5 minutos, antes de ir dormir». Questionar-se: «O que aconteceu hoje»? O que aconteceu na minha alma?» para «aprender a ser mais “soberano” de mim mesmo, no dia seguinte».

Por fim, Francisco concluiu exortando: «Façamos este pequeno exame de consciência todos os dias, para nos converter ao Senhor: «Mas amanhã vou fazer com que isto não aconteça”. Talvez aconteça, um pouco menos, mas conseguiste governar tu e não ser governado pelas tuas paixões, pelas muitas coisas que acontecem, porque nenhum de nós sabe por certo como acabará a própria vida e quando acabará».

Trata-se apenas de «5 minutos no final do dia» que, porém, «nos ajudarão muito a pensar e a não adiar a mudança do coração e a conversão ao Senhor. Que o Senhor nos ensine com a sua sabedoria a percorrer este caminho».

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18 de Outubro de 2019

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