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A cidade ideal

· Aos municípios italianos o Pontífice pediu uma política de acolhimento e integração para criar espaços e encontro ·

«Precisamos de uma política de acolhimento e integração, que não marginalize quem chega ao nosso território», insistiu o Papa no discurso dirigido aos presidentes das câmaras municipais, membros da Associação nacional dos municípios italianos (Anci), recebidos no Vaticano na manhã de 30 de setembro. O Pontífice disse que compreende «a dificuldade de muitos cidadãos diante da chegada maciça de migrantes e refugiados», mas está convicto de que ela «pode ser superada». Por isso, elogiou «todas as iniciativas que promovem a cultura do encontro». E dado que «muitas administrações locais podem incluir-se entre os principais autores de boas práticas de acolhimento e integração», o Papa desejou que muitos sigam este exemplo porque, sugeriu, só «assim a política pode cumprir» a «sua tarefa fundamental de ajudar a olhar com esperança para o futuro».

Como premissa para tais considerações práticas, o Pontífice propôs aos seus hóspedes uma reflexão bíblica sobre o contraste entre Babel, símbolo de «cidade incompleta», e a nova Jerusalém «tenda que dilata a possibilidade de encontrar cidadania», onde «entramos na medida em que contribuímos para gerar relações de fraternidade e comunhão». É significativo «que a Escritura recorra a esta figura. A imagem da cidade revela que a sociedade humana só pode reger-se quando se baseia na solidariedade autêntica, e onde crescem invejas, ambições desenfreadas e espírito de adversidade, ela condena-se a si mesma à violência do caos». Eis então a cidade ideal para Francisco, aquela que «não admite a unilateralidade de um individualismo exasperado, que separa o interesse particular do público»; que «não suporta os becos sem saída da corrupção, onde se aninham as chagas da desagregação», nem «conhece os muros da privatização dos espaços públicos, onde o “nós” se reduz a um slogan», pois «a cidade é um organismo vivo em que, se uma parte tem dificuldade de respirar, é também porque não recebe de outras suficiente oxigénio». Depois, o Papa referiu-se «às realidades em que falta a qualidade dos serviços e onde se formam novas bolsas de pobreza e marginalização. É ali que a cidade se move em dupla direção: por um lado, a auto-estrada de quantos correm com o máximo de garantias; por outro, os atalhos dos pobres e dos desempregados, das famílias numerosas e dos imigrantes».

Por isso, exortou os presidentes das câmaras municipais a fim de que nunca deixem de «frequentar as periferias urbanas, sociais e existenciais», pois «o ponto de vista dos últimos é a melhor escola, porque nos leva a entender quais são as necessidades mais autênticas» e «nos faz avaliar a injustiça» indicando «também o modo para a anular».

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22 de Outubro de 2019

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