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Bilhete de identidade

· A misericórdia segundo Bergoglio ·

««Só a este Papa podia vir à mente a ideia de organizar a apresentação deste livro com um cardeal véneto, um preso chinês e um cómico toscano!». Roberto Benigni, como de costume, foi um rio em cheia, prodigalizando momentos de comicidade e acentos de espiritualidade ao apresentar o livro O nome de Deus é misericórdia (ed. Planeta, 2016, 113 pp.) que reúne a conversa entre o Papa Francisco e o jornalista Andrea Tornielli. O texto, lançado contemporaneamente em oitenta e seis países do mundo, foi entregue a 11 de Janeiro ao Pontífice e, no dia seguinte, apresentado pelo Instituto patrístico Augustinianum num encontro moderado pelo director da Sala de imprensa da Santa Sé, padre Federico Lombardi.

Participaram na apresentação, além do actor e do jornalista, o cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado, o director da Lev, padre Giuseppe Costa, e o jovem chinês Zhang Agostino Jianquing, detido no cárcere de Pádua que trouxe um testemunho pessoal narrando a história da sua conversão e a sua experiência da misericórdia e do perdão de Deus.

Quem procura revelações folhando estas páginas ficará talvez um pouco desiludido: não é um livro em que o Papa Francisco conta curiosidades inéditas ou anedotas particulares sobre si mesmo. Nem se trata de uma entrevista que abrange todas as questões de actualidade que dizem respeito à vida da Igreja e do mundo. Ao contrário, o que apresentamos hoje é um livro com o qual o Papa nos quer fazer entrar, quase guiando-nos pela mão, no grande e confortador mistério da misericórdia de Deus. Um mistério distante dos nossos cálculos humanos, contudo tão necessário e esperado por nós peregrinos desorientados nestes tempos de desafios e provações.

«A misericórdia é verdadeira», diz o Papa respondendo a uma pergunta do entrevistador sobre a relação entre misericórdia e doutrina. A misericórdia, acrescenta Francisco, é «o bilhete de identidade do nosso Deus»: uma imagem que nos ajuda a compreender a verdadeira dimensão desta verdade cristã. O bilhete de identidade, com efeito, define-nos, descreve os dados pessoais, basilares e objectivos, que se devem saber sobre cada um de nós.

O volume, que se lê com facilidade, tem uma característica que é peculiar do seu principal autor, ou seja o Papa: é de facto um livro que abre algumas portas, que as quer manter abertas e tenciona indicar possibilidades, que deseja fazer pelo menos vislumbrar, ou até brilhar, o dom gratuito da misericórdia infinita de Deus, sem a qual «o mundo não existiria», como afirmara uma velhota – uma abulea – ao então D. Bergoglio, que tinha sido nomeado há pouco auxiliar de Buenos Aires.

Pietro Parolin

Edição em papel

 

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18 de Outubro de 2019

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