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Assistência imediata a quantos fogem do sofrimento

· No discurso à Roaco Bento XVI pediu liberdade para os cristãos no Próximo e Médio Oriente e o fim da violência no Norte de África ·

Bento XVI voltou a lançar um apelo em prol da liberdade de religião no Próximo e Médio Oriente, pedindo também que seja fornecida a «necessária assistência imediata» a quantos procuram «desesperadamente fugir» das violências no Norte da África. A ocasião foi a audiência aos participantes na assembleia da Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais (Roaco), recebidos na manhã de 24 de Junho na sala Clementina.

Senhor Cardeal

Beatitude

Venerados Irmãos

no Episcopado e no Sacerdócio

Prezados Membros

e Amigos da Roaco

Desejo manifestar a cada um de vós as cordiais boas-vindas, e é de bom grado que retribuo, com todos os melhores votos, as amáveis palavras de homenagem que me dirigiu o Cardeal Leonardo Sandri, Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais e Presidente da Reunião das Obras de Ajuda às Igrejas Orientais, acompanhado pelo Arcebispo Secretário, pelo Subsecretário e pelos Colaboradores eclesiásticos e leigos do Dicastério. Dirijo uma saudação fraterna ao novo Patriarca maronita, Sua Beatitude Bechara Boutros Raï, e estendo o meu pensamento aos demais Prelados, aos Representantes das Agências internacionais e da Universidade de Belém, assim como aos Benfeitores aqui congregados. Agradeço a todos a cooperação generosa para o mandato de caridade universal que o Senhor Jesus confia incessantemente ao Bispo de Roma como Sucessor do Bem-Aventurado Apóstolo Pedro.

Ontem celebramos a Solenidade do Corpo e Sangue do Senhor. A Procissão eucarística, à qual presidi desde a Catedral lateranense até à Basílica de Santa Maria Maior, contém sempre um apelo à amada Cidade de Roma e a toda a Comunidade católica, de permanecer e percorrer os caminhos não fáceis da história, entre as grandes pobrezas espirituais e materiais do mundo, para oferecer a caridade de Cristo e da Igreja, que brota do Mistério pascal, Mistério de amor e de dádiva total que gera a vida. A caridade «jamais acabará» ( 1 Cor 13, 8), afirma o Apóstolo Paulo, e é capaz de transformar os corações e o mundo com a força de Deus, semeando e despertando em toda a parte a solidariedade, a comunhão e a paz. Trata-se de dons confiados às nossas mãos frágeis, mas o seu desenvolvimento é seguro, porque o poder de Deus age precisamente na debilidade, se soubermos abrir-nos à sua força, se formos discípulos autênticos que procuram ser-lhe fiéis (cf. 2 Cor 12, 10).

Estimados amigos da Roaco, nunca esqueçais a dimensão eucarística da vossa finalidade, para vos manterdes constantemente no movimento da caridade eclesial. Ele deseja chegar, de modo muito especial à Terra Santa, mas inclusive a todo o Médio Oriente, para promover a presença cristã nessa terra. Peço-vos que façais tudo o que vos for possível — inclusive suscitando o interesse das Autoridades públicas com as quais entrais em contacto a nível internacional — a fim de que no Oriente, onde nasceram, os Pastores e os fiéis de Cristo possam permanecer não como «estrangeiros», mas sim como «concidadãos» ( Ef 2, 19), que dão testemunho de Jesus Cristo, como o fizeram antes deles os Santos do passado, também eles filhos das Igrejas orientais. O Oriente é justamente a sua pátria terrestre. É ali que, ainda hoje, eles são chamados a promover — sem qualquer distinção — o bem de todos mediante a sua fé. Uma igual dignidade e uma liberdade real devem ser reconhecidas a todas as pessoas que professam esta fé, permitindo assim uma colaboração ecuménica e inter-religiosa mais fecunda.

Estou-vos grato pelas vossas reflexões acerca das mudanças que se estão a verificar nos países do Norte de África e no Médio Oriente, que constituem uma fonte de ansiedade para o mundo inteiro. Através das comunicações recebidas ultimamente da parte do Cardeal-Patriarca copoto-católico e do Patriarca maronita, assim como do Representante pontifício em Jerusalém e do Guardião da Terra Santa, a Congregação e as Agências poderão tomar conhecimento da situação local para a Igreja e o povo dessa região, tão importante para a paz e a estabilidade no mundo. O Papa deseja manifestar a sua proximidade, também através de vós, em relação àqueles que estão a sofrer e a quantos procuram desesperadamente fugir, aumentando deste modo o fluxo migratório, que muitas vezes permanece sem qualquer esperança. Rezo a fim de que a necessária assistência de emergência se ponha depressa em acção, mas sobretudo para que todas as formas possíveis de mediação sejam exploradas, de tal forma que a violência possa cessar e a harmonia social e a coexistência pacífica se restabeleçam em toda a parte, no respeito pelos direitos dos indivíduos, mas também das comunidades em geral. A oração e a reflexão fervorosas ajudar-nos-ão, ao mesmo tempo, a interpretar os sinais emergentes do presente período de labuta e de lágrimas: que o Senhor da história as transforme sempre em benefício do bem comum.

A Assembleia Especial para o Médio Oriente do Sínodo dos Bispos, celebrada no passado mês de Outubro no Vaticano e na qual participaram alguns de vós, levou os irmãos e as irmãs do Oriente ainda mais decididamente ao coração da Igreja, fazendo com que entrevejam os sinais de novidade do tempo hodierno. Mas imediatamente depois daquela assembleia, a violência absurda atingiu ferozmente pessoas inermes (cf. Angelus de 1 de Novembro de 2010) na Catedral sírio-católica de Bagdad e, nos meses seguintes, em vários outros lugares. Esta dor sentida por Cristo pode servir de ajuda para o crescimento da boa semente e dar frutos ainda mais fecundos, se Deus quiser. Por isso, confio à boa vontade dos membros da Roaco aquilo que se evidenciou durante o Sínodo e também o precioso património espiritual, constituído pelo cálice da paixão de numerosos cristãos, como ponto de referência para um serviço inteligente e generoso, que comece a partir dos últimos sem excluir ninguém, e meça sempre a sua autenticidade pela medida do Mistério eucarístico.

Caros amigos, sob a guia dos seus Pastores generosos e também com o vosso apoio insubstituível, as Igrejas Orientais católicas conseguirão confirmar sempre a comunhão com a Sé Apostólica, ciosamente conservada ao longo dos séculos, e oferecer uma contribuição original para a nova evangelização, tanto na sua pátria como na diáspora crescente. Deposito estes bons votos sob a salvaguarda da Santíssima Mãe de Deus e do Precursor de Cristo, são João Baptista, na solenidade litúrgica do seu nascimento. Aproxima-se também a solenidade dos santos Apóstolos Pedro e Paulo: naquele dia darei graças ao Bom Pastor, como recordou o Cardeal Sandri, no sexagésimo aniversário da minha Ordenação sacerdotal. Estou muito reconhecido pelas apreciadas orações e felicitações, que me ofereceis. Peço-vos que compartilheis a minha súplica ao «Senhor da messe» (cf. Mt 9, 38), a fim de que conceda à Igreja e ao mundo numerosos e fervorosos trabalhadores do Evangelho. E como sinal do meu carinho, estou deveras feliz por conceder a minha confortadora Bênção Apostólica a cada um de vós, a quantos vos são queridos e inclusive às comunidades que vos foram confiadas.


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21 de Novembro de 2019

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