Nota

Este site utiliza cookies...
Os cookies são pequenos arquivos de texto que ajudam a melhorar a sua experiência de navegação no nosso site. Ao navegar em qualquer parte deste site você autoriza a utilização dos cookies. Poderá encontrar maiores informações sobre a policy dos cookies nas Condições de utilização.

As palavras têm um significado?

· Distinguir realidades diversas graças à diversidade dos vocábulos pertinentes ·

No nosso jornal de hoje, apresentamos excertos de dois artigos publicados  na França. O primeiro –  em «La Vie» a 1 de Fevereiro – é da psicanalista e escritora Marie Balmary que, com tons leves mas profundos, denuncia como com o projecto de lei  francês sobre o «matrimónio para todos» se está a viver uma autêntica «mudança da palavra».

«A palavra matrimónio – escreve a psicanalista – requer um encontro na Académie Française. Se se estabelecer que significa ao mesmo tempo “união de pessoas de sexo diferente” e “união de pessoas do mesmo sexo”, como pode a nossa mente distinguir esta confusão? Como explicaremos às crianças que “semelhante” e “diverso”, uma realidade e o seu contrário, são a mesma coisa, sem provocar mil perguntas e observações, ou talvez explosões de risada, das quais são capazes inteligências como as que Freud amava,  ainda não intimidadas  por uma educação que lhes impede de  reflectir? A Académie Française poderia pedir ao legislador   que invente  outra palavra antes de nos privar de uma das especificidades mais importantes da linguagem, isto é, distinguir realidades graças à diversidade dos vocábulos pertinentes. Seria muito estranho se não se encontrasse nas gavetas da nossa velha cultura, e nos ecrãs dos mais jovens, um modo para remediar esta confusão».

Sylviane Agacinski é a autora do segundo artigo que propomos, publicado em «Le Monde» de domingo 3 de Fevereiro. «O princípio de um matrimónio aberto a todos os casais une amplamente os franceses – escreve a filósofa – enquanto o princípio da homogenitorialidade os divide. A capacidade de qualquer pessoa de ser um bom genitor não está em questão. De resto, muitos homossexuais têm filhos com um parceiro do outro sexo e não pretendem fundar a sua paternidade ou maternidade na própria homossexualidade. Ao contrário, a homogenitorialidade significaria que o amor homossexual funda a genitorialidade possível e permite substituir a heterogeneidade sexual do pai e da mãe com a homossexualidade masculina ou feminina dos pais. As fórmulas, que se tornaram correntes, de pais gays e lésbicas significam a mesma coisa».

«O temor que se pode exprimir – conclui Sylviane Agacinski – é precisamente que dois pais do mesmo sexo simbolizem, aos seus olhos [das crianças unidas a pais do mesmo sexo masculino ou feminino], como aos dos filhos adoptivos (e ainda mais aos que seriam  procriados com a ajuda de materiais biológicos), uma negação do limite que cada um dos dois sexos representa para o outro, limite que o amor não pode cancelar».

Edição em papel

 

AO VIVO

Praça De São Pedro

22 de Janeiro de 2020

NOTÍCIAS RELACIONADAS