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Amor e verdade

· Sobre as relações entre católicos e ortodoxos ·

Publicamos uma sinopse do discurso proferido a 8 de Novembro em Viena pelo Patriarca ecuménico por ocasião das celebrações para o 50º aniversário da fundação Pro Oriente.

O cinquentenário da Fundação Pro Oriente é um marco miliário especial, importante na história das relações entre a Igreja católica romana e as Igrejas ortodoxas do Oriente. Sob muitos aspectos é um espelho das relações entre as nossas Igrejas, porque reflecte e acompanha os extraordinários passos de aproximação e reconciliação começados há meio século, que levaram ao diálogo teológico e a intercâmbios sinceros entre nós nos planos paroquial, local, regional nacional e até internacional.

Como bem sabeis, daqui a poucos dias o nosso amado irmão em Cristo, o Papa Francisco visitará Istambul, que há mais de 17 séculos é o centro sagrado e a sede do Patriarcado ecuménico. Esperamos com grande prazer poder receber Sua Santidade no Fanar nos dias 29-30 de Novembro para a comemoração de santo André, primeiro dos apóstolos, e para a festa do trono da Igreja de Constantinopla. A sua visita oficial realiza-se no sulco da nossa peregrinação conjunta a Jerusalém, que teve lugar há poucos meses para celebrar outro cinquentenário, ou seja a viagem à Terra Santa do Papa Paulo VI, oficialmente proclamado santo pela Igreja católica, e do Patriarca ecuménico Atenágoras. Comoveu-nos profundamente o facto de que o Papa Francisco aceitou o nosso convite para uma comemoração comum desse acontecimento, que lhe tínhamos dirigido por ocasião da nossa participação na solene missa de início de pontificado, em Março de 2013.

Estes eventos não foram uma pura coincidência, nem são meramente históricos. Há cinquenta anos, eventos semelhantes não seriam imagináveis nem realizáveis. Foi a graça de Deus que inspirou os nossos veneráveis e clarividentes predecessores a tomar estas iniciativas audazes. Sob certos aspectos, depois de tantos anos de separação e silêncio, somente o Espírito de Deus podia criar as condições e circunstâncias para uma maior colaboração e para relações mais estreitas entre as nossas Igrejas, que precedentemente estiveram afastadas durante um milénio inteiro.

Precisamente neste clima de abertura ecuménica e de desejo sincero de diálogo a Fundação Pro Oriente foi concebida e instituída, em 1964, pelo cardeal arcebispo de Viena, Franz König, que discernindo o espírito dos tempos, sentiu a importância de aderir ao mandamento e à oração de nosso Senhor, «para que todos [os seus discípulos] sejam um só» ( Jo 17, 21). Santa finalidade e objectivo essencial da Fundação – com as suas várias Cartas em Viena, Graz, Salzburg e Linz – era melhorar as relações entre as Igrejas católica romana e ortodoxa oriental, mas também com as ortodoxas do Oriente, fazendo eco ao decreto pontifício Unitatis redintegratio, promulgado há meio século, a 21 de Novembro de 1964. Presidente fundador foi Alfred Stirnemann, que guiou a Fundação até à morte, em 1988. Recordamos ambos, além dos nossos venerados amigos, os metropolitas Crisóstomo e o seu sucessor Miguel da Áustria, exarcas patriarcais da Hungria e da Europa central. Estes dois hierarcas ortodoxos estavam absolutamente convictos do papel fundamental das relações positivas com a Igreja católica romana, trabalhando incansavelmente para promover o diálogo e favorecer a cooperação.

O ano de 1969 viu o início de uma tradição deveras importante e até hoje ininterrupta, ou seja o intercâmbio anual de delegações formais nas respectivas festas patronais das nossas duas «Igrejas irmãs»: no dia 29 de Junho em Roma, para a solenidade dos santos Pedro e Paulo; e a 30 de Novembro em Istambul, que o Papa Francisco honrará no final deste mês. Em seguida, estas iniciativas extremamente importantes culminaram na instituição – durante a visita pontifícia ao Fanar, no dia 30 de Novembro de 1979 – da Comissão mista internacional para o diálogo teológico entre a Igreja católica e a Igreja ortodoxa. Deste modo, a 29 de Maio de 1980, sob o nosso venerado predecessor, o Patriarca ecuménico Demétrio, e o sucessor do Papa Paulo VI, Papa João Paulo II, a Santa Sé e 14 Igrejas ortodoxas autocéfalas deram início a um «diálogo de verdade» teológico, com a finalidade de ampliar o «diálogo de amor» e de examinar em conjunto as diferenças doutrinais entre as duas Igrejas irmãs.

Felizmente hoje, através da contribuição importante e influente de fundações e instituições como Pro Oriente, este espírito de amor fraterno e de respeito mútuo tomou o lugar das controvérsias teológicas e da suspeita recíproca do passado. Naturalmente, somos bastante realistas para reconhecer que ainda há muito para fazer e que às vezes o caminho parece longo e cansativo.

Bartolomeu

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17 de Outubro de 2019

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