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Amigo até ao fim

· Missa em Santa Marta ·

Todos os cristãos receberam em dom a amizade de Jesus: «o nosso destino é sermos seus amigos» e ele permanece «fiel a este dom» mesmo quando «nos afastamos dele por causa da nossa debilidade». Eis o ensinamento que o Papa Francisco tirou das leituras litúrgicas do dia durante a missa celebrada em Santa Marta na manhã de segunda-feira, 14 de maio, festa do apóstolo São Matias.

«Na liturgia de hoje – afirmou o Pontífice – há uma palavra que se repete muitas vezes»: é «a palavra “sorte”». Mas, advertiu imediatamente, «não devemos considerá-la como um sinónimo de “caso”. Não é “por acaso”, por ventura»; ao contrário «aqui é sinónimo de destino». Com efeito, observou, «na oração da coleta rezamos deste modo: “Ó Senhor, a nós que tivemos a sorte de receber o dom da tua amizade concede-nos que progridamos neste amor, que sejamos eleitos, que permaneçamos fiéis na eleição”».

O Santo Padre inspirou-se neste trecho para refletir sobre o tema da amizade de cada cristão com Jesus. «Nós – explicou – recebemos este dom como sorte: a amizade do Senhor. Esta é a nossa vocação: viver como amigos do Senhor, amigos do Senhor», repetiu duas vezes. E o mesmo dom, observou, foi recebido pelos apóstolos: «ainda mais forte, mas o mesmo».

Portanto, atualizando o conceito, Francisco sublinhou que «todos nós cristãos recebemos este dom: a abertura, o acesso ao coração de Jesus, a amizade de Jesus. Recebemos por sina o dom da tua amizade. O nosso destino é ser teus amigos».

Analisando depois as caraterísticas deste dom, o Papa evidenciou que, em primeiro lugar, se trata de «um dom que o Senhor conserva sempre» e que «ele é fiel a este dom». Ao contrário, «muitas vezes nós não somos fiéis e afastamo-nos, com os nossos pecados, com os nossos caprichos e muitas outras coisas». Ao passo que «ele é fiel à amizade, porque nos chamou para que a vivêssemos. Elegeu-nos por esta razão, para sermos seus amigos: «Já não vos chamo servos – diz no Evangelho (Jo 15, 9-17) – mas chamei-vos amigos”. Ele conserva esta palavra até ao fim».

A este propósito o Pontífice pediu para que se pense com atenção em «qual é a última palavra» que Jesus «dirige a Judas, precisamente no momento da traição». E a resposta é surpreendente: «“Judas, amigo”. Quando Judas estava para o entregar, ele chama-lhe “amigo”, recorda-lhe isto. Porque ele é fiel». O Senhor «não diz: “Vai-te embora, porque te afastaste de mim. Vai-te embora”. Não! Ele é fiel até ao fim a este dom que ofereceu a todos: o dom da amizade».

Por conseguinte, continuou o Papa no seu raciocínio «Jesus é nosso amigo. E Judas, como afirma aqui, foi rumo à sua nova sorte, rumo ao seu destino que ele escolheu livremente, afastou-se de Jesus». E este «afastar-se de Jesus», esclareceu Francisco, chama-se «apostasia. Um amigo que se torna inimigo ou indiferente ou traidor». Ao contrário, «o Senhor não renega, até ao fim ele está ali: “Judas, amigo”. Até ao fim». E este, é o conselho de Francisco «deve-nos fazer refletir».

Aliás, também a primeira leitura, tirada dos Atos dos apóstolos (1, 15-17.20-26), evidencia que «Matias foi eleito no lugar de Judas por ser testemunha da Ressurreição, testemunha deste dom de amor, de amizade, mais do que amor trata-se de amizade, que significa familiaridade no amor. Porque o próprio Jesus diz: “Vós sois meus amigos. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor. Mas chamei-vos amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai”».

Com efeito, «o amigo é aquele que partilha os segredos com o outro». E dado que «recebemos como sorte, ou seja, como destino, o dom da amizade de Jesus, como o tinha recebido Judas, como o tinha recebido Matias», o Papa convidou a pensar «nisto»: ou seja, ao facto de que Cristo «não renega este dom, não nos renega, espera por nós até ao final. E quando, devido à nossa debilidade, nos afastamos dele, ele espera, espera, Ele continua a dizer: «Amigo, espero por ti. Amigo o que queres? Amigo, por que me atraiçoas com um beijo?”». Porque, concluiu o Pontífice, Jesus «é fiel na amizade». E «nós devemos pedir-lhe esta graça de permanecer no seu amor, de permanecer na sua amizade, aquela amizade que recebemos como sorte, como dom dele».

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17 de Setembro de 2019

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