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A responsabilidade de proteger o homem

· Com o apoio das religiões ·

Nunca um Papa tinha falado diante de representantes de tantos Países juntos quase duzentos, na prática o inteiro planeta. Isto quis Bento XVI, que na vigília do início do quarto ano de pontificado pronunciou um discurso à assembleia geral da Organização das Nações Unidas. Numa circunstância que ressaltou como o Bispo de Roma se dirige cada vez mais ao mundo, levando ao ápice uma tendência que se acentuou sobretudo depois do final do poder temporal pontifício e expressa historicamente com o desenvolvimento quer a projecção mundial da Santa Sé quer as relações diplomáticas que ela mantém com um número de Países em contínuo crescimento. Desempenhando deste modo uma acção política no sentido mais elevado do termo e que tem contudo muito clara a necessária e rigorosa distinção entre a esfera religiosa e o âmbito político típica da tradição cristã.
Já Paulo VI e João Paulo II ao falar às Nações Unidas, tiveram como interlocutores os povos da terra, em nome de uma Igreja por eles declarada com humilde orgulho perita em humanidade. O seu sucessor repetiu este conceito no sexagésimo aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem. Tendo saído das ruínas assustadoras do segundo conflito mundial, a Organização das Nações Unidas de facto quis estabelecer-se objectivos ideais válidos em toda a parte. Princípios que Bento XVI reconheceu como positivos, mesmo sem esconder num discurso importante e digno de atenção uma forte crítica:  estes ideais, que já não coincidem com a totalidade do bem comum da família humana, dependem hoje de um consenso multilateral em crise porque subordinado às decisões de um número restrito de Países.
Há ao contrário uma lei natural inscrita no coração de cada ser humano, fundada na origem comum das pessoas e que impõe hoje que as Nações Unidas promovam a solidariedade para as áreas mais frágeis do planeta, que respeitem a vida humana, a família e o meio ambiente, intervindo para proteger as populações da violação dos direitos do homem. Esta nova "responsabilidade de proteger" deve dizer respeito a todos os direitos humanos, e portanto ao da liberdade religiosa, sobretudo quando ela que inclui também a dimensão pública da religião e não só a livre prática de culto é posta em perigo por ideologias dominantes e por "posições religiosas maioritárias, de natureza exclusiva".
Palavras muito claras e empenhativas que Bento XVI quis sintetizar com outra frase da tradição judaica e cristã, a expressão latina tirada do profeta Isaías (e retomada já por Pio XII) que o Papa deixou em recordação da sua visita à sede das Nações Unidas como legado permanente: Erit opus iustitiae pax . A experiência dos últimos decénios demonstra de facto que os Estados devem voltar constantemente à inspiração inicial que há sessenta anos levou à Declaração Universal dos Direitos do Homem, para evitar que ela se debruce sobre interesses particulares, isto é, não respeitadores da unidade do homem e da indivisibilidade dos seus direitos.
Por isso é importante uma visão da vida ancorada na dimensão religiosa; de facto, ela pode ajudar juntamente com o diálogo entre as religiões, "que as Nações Unidas estão chamadas a defender" e que Bento XVI encorajou mais uma vez com a visita à sinagoga novaiorquina de Park East e os encontros destes dias com numerosos representantes cristãos e de outros credos o compromisso comum contra a violência, o terrorismo, a guerra, juntamente com a promoção da justiça e da paz. Um compromisso difícil certamente, mas não impossível, fundado como está para numerosíssimos crentes na esperança de Cristo.

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6 de Dezembro de 2019

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