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A realidade na perspectiva de Deus

Depois de três semanas de «bom trabalho» comum, de oração e de escuta recíproca, concluiu-se a segunda assembleia especial do Sínodo dos bispos para a África. Quem o ressaltou com simplicidade foi o seu presidente, Bento XVI, frequentemente presente e muito atento aos debates destes dias. Que deram uma contribuição importante não só à Igreja, mas ao inteiro cenário mundial. Mesmo se os mass media internacionais – com alguma excepção – perderam mais uma vez a ocasião, demonstrando pouco interesse por esta prática de responsabilidade colectiva e colegial que há mais de quarenta anos entrou a fazer parte do exercício da primazia do sucessor de Pedro.

A Igreja de Roma é ao contrário a única importante realidade planetária que – em continuidade com a sua tradição – se situa face à globalização sem fatalismos nem resignação, não obstante as numerosas dificuldades e riscos. De facto, os católicos bem sabem que este fenómeno mundial pode ser orientado, e procuram fazê-lo no sentido da fraternidade e da partilha. Contribuindo para renovar o modelo de desenvolvimento para nele incluir todos os povos, como ressaltou com realismo a encíclica Caritas in veritate em coerência com o ensinamento e com o testemunho sobretudo de Paulo VI e de João Paulo II. E como indicou claramente a viagem do Papa aos Camarões e a Angola, onde com um forte gesto abriu simbolicamente os trabalhos sinodais.

Da sede do sucessor de Pedro, que «preside à comunhão universal», vai deste modo para todo o continente africano uma mensagem que nasce de toda a Igreja e da própria África, recolhendo as suas experiências, expectativas e projectos. Mesmo se a palavra principal que o sínodo dirige aos povos do grande continente, esquecido ou explorado pela comunidade internacional, é a «que o Senhor da história – disse Bento XVI na homilia conclusiva – não se cansa de renovar para a humanidade oprimida e subjugada de todas as épocas e terras»: anúncio de esperança e de alegria porque o desígnio e as promessas de Deus não mudam.

Os trabalhos sinodais correram o risco, como o Papa ressaltou lucidamente, de dois perigos opostos: por um lado, uma politização que corria o perigo de transformar os bispos em políticos, mesmo se esta dimensão, a política, «é muito real»; por outro, uma espiritualização abstracta e desencarnada. Mas este dúplice risco foi evitado. Na certeza de que a reconciliação, a justiça e a paz não são possíveis sem aquela «novidade que deve resultar precisamente do encontro com Deus» e sem a purificação do coração; ao mesmo tempo – repetiu mais uma vez Bento XVI – é indispensável a atenção concreta à realidade, mas na perspectiva de Deus. Que a deseja renovar para curar e iluminar a humanidade cega e doente, necessitada de salvação mesmo se em muitos casos só o sente obscuramente.

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16 de Setembro de 2019

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