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A Razão boa

A homilia de Bento XVI para a vigília da Páscoa deste ano, no início do sétimo ano de pontificado, é um texto impressionante. Que permanecerá entre os mais memoráveis — e certamente não são poucos — de um Papa que com a sua palavra está a restituir à tradição cristã força e compreensibilidade num mundo submetido por uma infinidade de mensagens.

Como sempre nas principais celebrações do tempo cristão, é a liturgia que chama com os sinais e com a Palavra a atenção do Papa Ratzinger. Assim na vigília pascal, a luz do fogo, símbolo da inatingível lumen Christi que brilha na obscuridade da noite e do mundo, e a água, que indica a imersão ( báptisma ) na morte e a salvação que a ressurreição de Cristo trouxe.

Mas este ano Bento XVI escolheu concentrar a sua reflexão, que tem o dom de alcançar o essencial, na palavra da Escritura inspirada por Deus e proclamada na liturgia. Em particular, as antigas profecias veterotestamentárias. Que não só narram a história da salvação, mas mostram o «fundamento e a orientação» de toda a história. A partir da criação.

Precisamente a escolha de colocar esta narração no início da liturgia mais importante do ano indica a especificidade da Igreja: não satisfazer necessidades religiosas, mas levar «o homem ao contacto com Deus». Reconhecendo a realidade de um universo não casual mas criado por uma Palavra e por uma Razão boa: o lógos , que era «no princípio», quando Deus criou o céu e a terra, repousando no sábado.

Querida por uma Razão boa, a criação permanece boa não obstante «uma linha obscura grossa» que nela se manifesta e se lhe opõe, pelo uso indevido da liberdade querida pela própria Razão. Contra qualquer gnosticismo contrário à criação, esta era e permanece a convicção da Igreja. Que o primeiro dia depois do sábado — o «dia do Senhor» ( dies dominica ) que desde então ocupou o seu lugar — encontrou o Ressuscitado. O único que venceu a morte e mudou o mundo.

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23 de Setembro de 2019

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