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A ovelha e o Menino

· Quando o presépio se encarna na fraternidade e na solidariedade de todos os dias para um mundo diverso ·

Recorda, querido anjinho, o nosso primeiro encontro? No presépio, aquela vez, eu não fazia parte da bonita mancha branca no meio do verde, constituída pelo rebanho de ovelhas que, guiadas pelo pastor, caminhavam rumo à cabana.

Puseram-me de lado, sozinha, provavelmente para variar um pouco a paisagem.

Mas talvez tenham adivinhado o meu estado de espírito.

Havia tempos que eu não me sentia à vontade no rebanho, que ia sempre, em cada Natal, rumo àquela cabana, sob a guia paterna e às vezes paternalista daquele pastor que dizia onde ir e o que era preciso fazer. Aqueles Natais tornaram-se para mim difíceis de suportar, devido ao moralismo de fachada.

E assim encontrei-me fora do rebanho e senti-me livre de ir onde eu queria e não necessariamente rumo àquela cabana, dado que havia muitas choupanas pobres como aquela. Além disso, o mundo não se reduzia ao presépio!

Era necessário crescer, conhecer o mundo, não se limitar a sonhar.

No início todos olhavam para mim: alguns considerando-me a ovelha negra, outros admirando-me pela minha coragem. Depois, habituaram-se e também eu me acostumei com a minha vida à margem, ou autónoma do rebanho. Foi ali que te deste conta de mim. Depois de tantas voltas e de repetir a todos a mesma mensagem, paraste um momento ao meu lado e falaste comigo e de mim.

Concordavas comigo que o mundo é mais vasto do que o presépio, mas acrescentastes que é o presépio que torna o mundo mais visível.

Falaste-me de liberdade, mas também de solidariedade, acrescentando que é ela que salva da solidão e do egoísmo.

Surpreendeste-me quando me disseste que o Natal é o encontro entre dois mendigo em busca de amor: Deus e o ser humano.

Comoveste-me quando me disseste que também eu podia tornar-me um anjo para os outros, quando me tornasse presente nas suas dificuldades.

Pareceste-me sábio quando me aconselhaste a não sair do presépio, porque ali dentro era mais fácil encontrar aquilo que eu procurava, embora nem tudo me convencesse.

Surpreendeste-me quando me disseste com segurança: «Se procurares verdadeiramente, no final serás encontrado por Ele, que veio procurar a ovelha perdida».

Chorei quando me disseste que por um ano não nos teríamos visto.

Tornaste-me feliz quando me garantiste que não me terias deixado sozinha. Mas fiquei sem palavras quando me disseste que todo aquele movimento de anjos teria sido realizado também só para mim, e que no céu eles teriam feito mais festa para mim do que para todo aquele rebanho ordenado e obediente.

E agora o que posso dizer-te, senão agradecer-te e dizer-te: «Volta depressa»?

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16 de Setembro de 2019

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