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A minoria cristã no Médio Oriente exige liberdade religiosa e paz

· Palavras de Bento XVI à delegação do Patriarcado ecuménico de Constantinopla ·

Um convite a dar continuidade ao diálogo num clima de «confiança recíproca, estima e fraternidade» foi dirigido por Bento XVI à delegação do Patriarcado ecuménico de Constantinopla, recebida em audiência na manhã do dia 28 de Junho na vigília da solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo, por ocasião da tradicional celebração anual do martírio destes Santos. A delegação ecuménica estava composta por Sua Eminência Gennadios (Limouris) – que dirigiu uma saudação ao Papa – e por Sua Excelência Bartolomeu (Ioannis Kessidis), acompanhados pelo diácono Theodoros Meimaris.

Amados Irmãos em Cristo!

«Graça e paz voz sejam dadas da parte de Deus nosso Pai» ( Cl 1, 2). É com grande alegria e com afecto sincero que vos dou as boas-vindas, no Senhor, a esta Cidade de Roma, por ocasião da celebração anual do martírio dos Santos Pedro e Paulo. A sua festa, que a Igreja católica e as Igrejas ortodoxas celebram no mesmo dia, é uma das mais antigas do ano litúrgico, e dá testemunho de uma época em que as nossas comunidades viviam em plena comunhão umas com as outras. A vossa presença hoje aqui – pela qual estou profundamente grato ao Patriarca de Constantinopla, Sua Santidade Bartolomeu i, e ao Santo Sínodo do Patriarcado ecuménico – enche de alegria o coração de todos nós.

Dou graças ao Senhor pelo facto de os relacionamentos existentes entre nós se caracterizarem por sentimentos de confiança, estima e fraternidade recíprocas, como é amplamente demonstrado pelos numerosos encontros que já se realizaram ao longo do corrente ano.

Tudo isto dá espaço à esperança de que o diálogo católico-ortodoxo continuará a alcançar progressos significativos. Vossa Eminência está consciente de que a Comissão conjunta internacional para o diálogo teológico, da qual o senhor é Secretário conjunto, se encontra num ponto crucial, tendo começado no passado mês de Outubro em Pafos a discorrer sobre «O papel do Bispo de Roma na Comunhão da Igreja no primeiro milénio». Oremos com todo o nosso coração a fim de que, iluminados pelo Espírito Santo, os membros de tal Comissão continuem a percorrer este caminho durante a próxima sessão plenária, que terá lugar em Viena, dedicando-lhe o tempo necessário para um estudo aprofundado desta questão delicada e importante. Para mim, é um sinal encorajador, o facto de que o Patriarca ecuménico Bartolomeu i e o Santo Sínodo de Constantinopla compartilham a nossa firme convicção acerca da importância de tal diálogo, como Sua Santidade declarou de maneira tão clara na Carta encíclica patriarcal e sinodal, emanada na circunstância do Domingo ortodoxo, no dia 21 de Fevereiro de 2010.

Na próxima Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para o Médio Oriente, que convoquei para o mês de Outubro aqui em Roma, estou persuadido de que o tema da cooperação ecuménica entre os cristãos dessa região receberá grande atenção. Com efeito é salientado no Instrumentum laboris, que confiei aos Bispos católicos no Médio Oriente durante a minha recente visita a Chipre, onde fui recebido com grande cordialidade fraternal por Sua Beatitude Crisóstomo ii, Arcebispo de Nova Justiniana e de todo o Chipre. As dificuldades que os cristãos no Médio Oriente devem experimentar são em grande medida comuns para todos: viver como minoria, desejar uma liberdade religiosa autêntica e aspirar à paz. É necessário o diálogo com as comunidades islâmicas e judaicas. Neste contexto, terei o grande prazer de dar as boas-vindas à Delegação fraterna, que o Patriarca ecuménico irá enviar para participar nos trabalhos da Assembleia sinodal.

Eminência, dilectos membros da Delegação, agradeço-vos a vossa visita. E peço-vos que transmitais as minhas saudações fraternais a Sua Santidade Bartolomeu i, ao Santo Sínodo, ao clero e a todos os fiéis do Patriarcado ecuménico. Através da intercessão dos Apóstolos Pedro e Paulo, que o Senhor nos conceda bênçãos abundantes, conservando-nos sempre no seu Amor.

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23 de Setembro de 2019

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