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A Igreja é transparência de Cristo no meio dos homens

· Cerimónia de boas-vindas no aeroporto internacional de Santiago de Compostela ·

Bento XVI chegou às 11h20 de sábado, 6 de Novembro, a Santiago de Compostela, primeira etapa da sua décima oitava viagem internacional. O Papa foi recebido pelo Príncipe das Astúrias o qual lhe dirigiu uma deferente saudação de boas-vindas. Em seguida, o Pontífice pronunciou o seu primeiro discurso em terra espanhola.

Altezas Reais

Distintas Autoridades nacionais,

autónomas e locais

Senhor Arcebispode Santiago de Compostela

Senhor Cardeal Presidente da Conferência Episcopal Espanhola

Senhores Cardeaise Irmãos no Episcopado

Prezados irmãos e irmãs

Queridos amigos!

Muito obrigado, Alteza, pelas deferentes palavras que me dirigiu em nome de todos e que são o eco profundo dos sentimentos de afecto para com o Sucessor de Pedro dos filhos e filhas desta nobre terra.

Saúdo cordialmente quantos estão aqui presentes e todos os que se unem a nós através dos meios de comunicação social, agradecendo também a quantos colaboraram generosamente, a partir dos diversos âmbitos eclesiais e civis, para que esta breve mas intensa viagem a Santiago de Compostela e a Barcelona seja frutuosa.

No mais íntimo do seu ser, o homeme está sempre a caminho, está em busca da verdade. A Igreja participa desse anseio profundo do ser humano e ela mesma se põe a caminho, acompanhando o homem que anseia pela plenitude do seu próprio ser. Ao mesmo tempo, a Igreja realiza o seu caminho interior, aquele que a conduz através da fé, da esperança e do amor, a tornar-se transparência de Cristo para o mundo. É esta a sua missão e o seu caminho: ser cada vez mais, no meio dos homens, presença de Cristo, «o qual para nós foi feito, por Deus, sabedoria, justiça, santificação e redenção» (1 Cor 1, 30). Por isso, também eu me pus a caminho para confirmar na fé os meus irmãos (cf. Lc 22, 32).

Venho como peregrino, neste Ano Santo Compostelano e trago no coração o mesmo amor a Cristo que movia o Apóstolo Paulo a empreender as suas viagens, desejando chegar também à Espanha (cf. Rm 15, 22-29). Desta forma, desejo unir-me a esta longa plêiade de homens e mulheres que, ao longo dos séculos, chegaram a Compostela de todas as partes da Península Ibérica e da Europa, e também do mundo inteiro, para se pôr aos pés de São Tiago e deixar-se transformar pelo testemunho da sua fé. Eles, com as suas pegadas e cheios de esperança, foram criando um caminho de cultura, oração, misericórdia e conversão, que plasmou igrejas e hospitais, asilos, pontes e mosteiros. Deste modo, a Espanha e a Europa foram desenvolvendo uma fisionomia espiritual marcada de modo indelével pelo Evangelho.

Precisamente como mensageiro e testemunha do Evangelho, irei também a Barcelona, para estimular a fé do seu povo acolhedor e dinâmico. Uma fé semeada já no alvorecer do cristianismo, e que foi germinando e crescendo ao calor de numerosos exemplos de santidade, dando origem a tantas instituições de beneficência, cultura e educação. Fé que inspirou o genial arquitecto Antoni Gaudí a empreender nessa cidade, com o fervor e a colaboração de muitos, a maravilha que é o templo da Sagrada Família. Terei a honra de dedicar esse templo, no qual se reflecte toda a grandeza do espírito humano que se abre a Deus.

Sinto profunda alegria ao estar de novo na Espanha, que deu ao mundo uma plêiade de grandes santos, fundadores e poetas, como Inácio de Loyola, Teresa de Jesus, João da Cruz, Francisco Xavier, entre muitos outros; que no século XX suscitou novas instituições, grupos e comunidades de vida cristã e de acção apostólica e, nos últimos decénios, caminha em concórdia e unidade, liberdade e paz, olhando para o futuro com esperança e responsabilidade. Movida pelo seu rico património de valores humanos e espirituais, procura de igual modo superar as dificuldades e oferecer a sua solidariedade à comunidade internacional.

Estes contributos e iniciativas da vossa grande história, e também de hoje, juntamente com o significado destes lugares da vossa formosa geografia que visitarei nesta ocasião, estimulam-me a alargar o meu pensamento a todos os povos da Espanha e da Europa. Como o Servo de Deus João Paulo II, que de Compostela exortou o velho Continente a dar novo vigor às suas raízes cristãs, também eu desejo convidar a Espanha e a Europa a edificar o seu presente e a projectar o seu futuro partindo da verdade autêntica do homem, da liberdade que respeita essa verdade e nunca a fere, e da justiça para todos, começando pelos mais pobres e desamparados. Uma Espanha e uma Europa preocupadas pelas necessidades não só materiais dos homens, mas também morais e sociais, espirituais e religiosas, porque todas elas são exigências genuínas do único homem e só assim se trabalha eficaz, íntegra e fecundamente pelo seu bem.

Queridos amigos, reitero-vos o meu agradecimento pelas vossas amáveis boas-vindas e pela vossa presença neste aeroporto. Renovo o meu carinho aos amadíssimos filhos da Galiza, da Catalunha e dos demais povos da Espanha. Ao recomendar à intercessão de São Tiago Apóstolo a minha presença entre vós, suplico a Deus que as suas bênçãos cheguem a todos. Muito obrigado!

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16 de Setembro de 2019

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