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A hierarquia das coisas

· O dia 11 de Fevereiro relido pelos comentadores internacionais ·

«Nos fundamentos do catolicismo – disse Julia Kristeva, semióloga e psicanalista búlgara que se naturalizou francesa, ao diário italiano «Avvenire» - Bento XVI procurou o que está aberto e levanta perguntas, unindo simbolicamente santo Agostinho a Freud e Heidegger. Por conseguinte, a vida e o pensamento como interrogação e caminho».

Um Papa profundamente agostiniano, que se preocupou sobretudo com a luta ao niilismo  e ao relativismo moral, no comentário de Henri Tincq, Une théologie de la foi face aux torments du siècle, publicado no dossier que «Le Monde» dedica no número de 13 de Fevereiro à renúncia do Papa. Também Carol Zaleski, professor de religiões no Smith College, na sua intervenção A humble Pope em «The New York Times», atribuindo ao Pontífice «humildade e sabedoria», chama em causa o santo de Hipona: «para os intelectuais de muitas crenças que o admiram, Bento XVI é um profundo pensador religioso de tradição agostiniana».

Il seme fertile di una rinuncia é o título do editorial de Ernesto Galli della Loggia no «Corriere della Sera»: «Com o passar das horas torna-se cada vez mais evidente que o gesto com o qual Bento XVI concluiu o seu pontificado, longe de ser um gesto de “renúncia”, na realidade foi o oposto: um gesto de governo de grande alcance e ao mesmo tempo um acto de alto magistério espiritual». Um gesto, conclui o não crente historiador da  contemporaneidade, que «tem o som de um convite a redefinir a hierarquia das coisas, por conseguinte a estabelecer prioridades mais autênticas, a distinguir o que conta daquilo que não conta. E portanto a mudar em relação ao que somos. Um convite que vai muito além dos confins da catolicidade. Face à arrasadora mudança da época que assola o mundo inteiro, o chefe da mais antiga e veneranda instituição do Ocidente, dá uma lição espiritual muito forte, sendo ele o primeiro a mudar através da renúncia. As nossas sociedades, nós mesmos –  parece que nos diz – não podemos continuar a ser o que fomos até hoje. Os sinais dos tempos impõem que encontremos outras regras, que imaginemos outras finalidades, outros ideais para o nosso estar juntos. Com características mais íntimas, mais sóbrias, mais verdadeiras. É de uma renovação como esta que precisamos».

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21 de Novembro de 2019

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