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A força da oração para vencer o mal

· Angelus de domingo com os fiéis na praça de São Pedro ·

Bento XVI recordou com afecto o seu predecessor

Uma fé alimentada pela oração e pela caridade ajuda a derrubar o mal. Foi o sentido da reflexão proposta pelo Papa aos numerosíssimos fiéis reunidos no domingo 3 de Abril na praça de São Pedro para a recitação da prece mariana.

Queridos irmãos!

O itinerário quaresmal que estamos a viver é um tempo particular de graça, durante o qual podemos experimentar o dom da benevolência do Senhor em relação a nós. A liturgia deste domingo, denominado «Laetare», convida a alegrar-nos, a rejubilar, assim como proclama a antífona da entrada da celebração eucarística: «Alegra-te, Jerusalém e vós todos que a amais, reuni-vos. Exultai e rejubilai, vós que estáveis de luto por ela: alimentar-vos-eis da abundância do vosso conforto» (cf. Is 66, 10-11). Qual é a razão profunda desta alegria? A resposta é-nos dada pelo Evangelho de hoje, no qual Jesus cura um homem cego de nascença. A pergunta que o Senhor Jesus dirige àquele que tinha sido cego constitui o ápice da narração: «Tu crês no Filho do Homem?» ( Jo 9, 35). Aquele homem reconhece o sinal realizado por Jesus e passa da luz dos olhos para a luz da fé: «Creio, Senhor» ( Jo 9, 38). Deve ser evidenciado como uma pessoa simples e sincera, de modo gradual, realiza um caminho de fé: num primeiro momento encontra Jesus como um «homem» entre os outros, depois considera-o um «profeta», por fim os seus olhos abrem-se e proclam-n’O «Senhor». Em oposição à fé do cego curado está o endurecimento do coração dos fariseus que não querem aceitar o milagre, porque rejeitam em acolher Jesus como o Messias. A multidão, ao contrário, detém-se a discutir sobre o que aconteceu e permanece distante e indiferente. Os próprios pais do cego sentem-se amedrontados pelo juízo dos outros.

E nós, que atitude assumimos diante de Jesus? Também nós, por causa do pecado de Adão nascemos «cegos», mas na pia baptismal fomos iluminados pela graça de Cristo. O pecado tinha ferido a humanidade destinando-a à obscuridade da morte, mas em Cristo resplandece a novidade da vida e a meta à qual somos chamados. N’Ele, fortalecidos pelo Espírito Santo, recebemos a força para vencer o mal e realizar o bem. De facto, a vida cristã é uma conformação contínua com Cristo, imagem do homem novo, para alcançar a comunhão plena com Deus. O Senhor Jesus é «a luz do mundo» ( Jo 8, 12), porque n’Ele «resplandece o conhecimento da glória de Deus» ( 2 Cor 4, 6), que continua a revelar na complexa trama da história qual seja o sentido da existência humana. No rito do Baptismo, a entrega da vela, acesa no grande círio pascal símbolo de Cristo Ressuscitado, é um sinal que ajuda a compreender o que acontece no Sacramento. Quando a nossa vida se deixa iluminar pelo mistério de Cristo, experimenta a alegria de ser libertada por tudo o que ameaça a plena realização. Nestes dias que nos preparam para a Páscoa reavivemos em nós o dom recebido no Baptismo, aquela chama que por vezes arrisca ser sufocada. Alimentando-a com a oração e com a caridade em relação ao próximo.

À Virgem Maria, Mãe da Igreja, confiemos o caminho quaresmal, para que todos possam encontrar Cristo, Salvador do mundo.

Durante o Angelus de domingo na praça de São Pedro o Papa recordou «o seu amado predecessor», João Paulo II, com estas palavras.

Queridos irmãos e irmãs!

Celebrou-se ontem o sexto aniversário da morte do meu amado Predecessor, o Venerável João Paulo II. Devido à sua próxima beatificação, não celebrei a tradicional Missa de sufrágio por ele, mas recordei-o com afecto na oração, como penso também vós fizestes. Enquanto, através do caminho quaresmal, nos preparamos para a festa da Páscoa, aproximamo-nos com alegria também ao dia no qual poderemos venerar como Beato este grande Pontífice e Testemunha de Cristo, e confiar-nos ainda mais à sua intercessão.

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Praça De São Pedro

25 de Agosto de 2019

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