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A finalidade do homem é Deus

· No Angelus o Papa recordou que a vida humana deve ser protegida em qualquer condição ·

O encontro autêntico com Deus «transforma a vida do homem» e leva-o a reconhecer os próprios limites e debilidades. Disse Bento XVI na Praça de São Pedro durante o Angelus de domingo, 7 de Fevereiro, data em que a Igreja na Itália celebra o Dia pela vida.

Queridos irmãos e irmãs!

A liturgia deste quinto domingo do tempo comum apresenta-nos o tema da chamada divina. Numa visão majestosa, Isaías encontra-se diante do Senhor três vezes Santo e é tomado por um grande receio e pelo sentimento profundo da própria indignidade. Mas um serafim purifica os seus lábios com um carvão ardente e cancela o seu pecado, e ele, sentindo-se pronto para responder à chamada, exclama: «Eis-me Senhor, envia-me!» (cf. Is 6, 1-2.3-8). A mesma sucessão de sentimentos está presente no episódio da pesca milagrosa, da qual nos fala o trecho evangélico de hoje. Convidados por Jesus a lançar as redes, não obstante a noite fosse infrutuosa, Simão Pedro e os outros discípulos, confiando na sua palavra, obtêm uma pesca superabundante. Diante deste prodígio, Simão Pedro não abraça Jesus para expressar a alegria por aquela pesca inesperada, mas, como narra o Evangelista Lucas, lança-se aos seus pés, dizendo: «Senhor, afasta-te de mim, porque sou um pecador». Então Jesus tranquiliza-o: «Não temas; de hoje em diante serás pescador de homens» (cf. Lc 5, 10); e ele, deixando tudo, segue-O.

Também Paulo, recordando-se que foi um perseguidor da Igreja, professa-se indigno de ser chamado apóstolo, mas reconhece que a graça de Deus realizou nele maravilhas e, não obstante os próprios limites, confiou-lhe a tarefa e a honra de pregar o Evangelho (cf. 1 Cor 15, 8-10). Vemos nestas três experiências como o encontro autêntico com Deus leve o homem a reconhecer a própria pobreza e insuficiência, o próprio limite e o seu pecado. Mas, apesar desta fragilidade, o Senhor, rico em misericórdia e em perdão, transforma a vida do homem e chama-o a segui-lo. A humildade testemunhada por Isaías, por Pedro e Paulo convida quantos receberam o dom da vocação divina a não se concentrarem nos seus limites, mas a manter o olhar fixo no Senhor e na sua surpreendente misericórdia, para converter o coração, e continuar, com alegria, a «deixar tudo» por Ele. De facto, Ele não vê o que é importante para o homem: «O homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração» (1 Sm 16, 7), e faz de homens pobres e frágeis, mas que têm fé n'Ele, intrépidos apóstolos e anunciadores da salvação.

Neste Ano Sacerdotal, peçamos ao Dono da messe, que envie trabalhadores para a sua messe e que quantos ouvem o convite do Senhor para O seguir, depois do necessário discernimento, lhe saibam responder com generosidade, não confiando nas próprias forças, mas abrindo-se à acção da sua graça. Em particular, convido todos os sacerdotes a reavivar a sua generosa disponibilidade a responder todos os dias à chamada do Senhor com a mesma humildade e fé de Isaías, de Pedro e de Paulo.

À Virgem Santa confiemos todas as vocações, particularmente as vocações para a vida religiosa e sacerdotal. Maria suscite em cada um o desejo de pronunciar o próprio «sim» ao Senhor com alegria e dedicação plena.

No final do Angelus, o Santo Padre saudou em várias línguas os fiéis presentes e recordou o Dia pela vida.

Celebra-se hoje na Itália o Dia pela vida . Associo-me de bom grado aos Bispos italianos e à sua mensagem sobre o tema: «A força da vida, um desafio na pobreza». No actual período de dificuldade económica, tornam-se ainda mais dramáticos aqueles mecanismos que, produzindo pobreza e criando grandes desigualdades sociais, ferem e ofendem a vida, atingindo sobretudo os mais débeis e indefesos. Portanto, esta situação compromete a promover um desenvolvimento humano integral para superar a indigência e a necessidade, e recorda sobretudo que o fim do homem não é o bem-estar, mas o próprio Deus e que a existência humana deve ser defendida e favorecida em cada uma das suas fases. Ninguém, de facto, é dono da própria vida, mas todos somos chamados a conservá-la e respeitá-la, desde o momento da concepção até ao seu ocaso natural.

Ao expressar apreço a quantos mais directamente trabalham ao serviço das crianças, saúdo com afecto os numerosos fiéis de Roma aqui reunidos, guiados pelo Cardeal Vigário e por alguns Bispos Auxiliares. A Diocese de Roma dedica especial atenção ao Dia pela Vida e prolonga-a na «Semana da vida e da família». Faço votos de bom êxito para esta iniciativa e encorajo a actividade dos consultórios, das associações e movimentos, assim como dos professores universitários, comprometidos em apoiar a vida e a família.

Neste contexto recordo que no próximo dia 11 de Fevereiro, memória da Bem-Aventurada Virgem de Lourdes e Dia Mundial do Doente, de manhã celebrarei a Santa Missa com os doentes na Basílica de São Pedro.

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Praça De São Pedro

16 de Setembro de 2019

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