Nota

Este site utiliza cookies...
Os cookies são pequenos arquivos de texto que ajudam a melhorar a sua experiência de navegação no nosso site. Ao navegar em qualquer parte deste site você autoriza a utilização dos cookies. Poderá encontrar maiores informações sobre a policy dos cookies nas Condições de utilização.

A Europa e o mundo precisam de Cristo

· Palavras do Santo Padre no encerramento do mês mariano nos jardins do Vaticano ·

No final da tarde de 31 de Maio teve lugar nos jardins do Vaticano o encerramento do mês mariano na presença do Papa. O encontro de oração com Bento XVI diante da gruta de Lourdes foi precedido por uma procissão com cerca de três mil fiéis que, partindo da igreja de Santo Estêvão dos Abissínios, foi presidida pelo cardeal Comastri até à gruta. Estavam também presentes os párocos e os sacerdotes agostinianos da basílica de São Pedro e da paróquia de Santa Ana. Durante o percurso foram recitados os mistérios gozosos, com intervalos de cânticos entoados pelo coro da Cidade do Vaticano e de músicas executadas pela banda palatina. Foram estas as palavras do Papa.

Amados irmãos e irmãs!

Uno-me a vós com grande alegria, no final deste tradicional encontro de oração, que conclui o mês de Maio no Vaticano. Com referência à liturgia hodierna, queremos contemplar Maria Santíssima no mistério da sua Visitação. Na Virgem Maria que vai visitar a prima Isabel reconhecemos o exemplo mais límpido e o significado mais verdadeiro  do nosso caminho de crentes e do caminho da própria Igreja. A Igreja  por sua natureza é missionária, é chamada a anunciar o Evangelho em toda a parte e sempre, a transmitir a fé a todos os homens e mulheres, em qualquer cultura.

«Por aqueles dias – escreve o evangelista São Lucas – pôs-se Maria a caminho e dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade de Judá» (Lc 1, 39). A de Maria é uma autêntica viagem missionária. É uma viagem que a leva longe de casa, a impulsiona para o mundo, para lugares distantes dos seus costumes quotidianos, que a faz chegar, num certo sentido, até aos confins por ela alcançáveis. Consiste precisamente nisto, também para todos nós, o segredo da nossa vida de homens e de cristãos. A nossa, como indivíduos e como Igreja, é uma existência projectada para fora de nós. Como já tinha acontecido para Abraão, é-nos pedido para sairmos de nós mesmos, dos lugares das nossas seguranças, para ir em direcção aos outros, a lugares e ambientes diferentes. É o Senhor que no-lo diz: «Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós, e sereis Minhas testemunhas... até aos confins do mundo» (Act 1, 8). E é sempre o Senhor que, neste caminho, nos põe ao lado Maria como companheira de viagem e mãe solícita. Ela tranquiliza-nos, porque nos recorda que connosco está sempre o seu Filho Jesus, segundo quanto prometeu: «Eu estarei sempre convosco, até ao fim do mundo» (Mt 28, 20).

O evangelista escreve que «Maria permaneceu com ela (com a prima Isabel) cerca de três meses» (Lc 1, 56). Estas simples palavras dizem a finalidade mais imediata da viagem de Maria. Soube pelo Anjo que Isabel concebera um filho e que estava no sexto mês (cf. Lc 1, 36). Mas Isabel era idosa e a proximidade de Maria, ainda muito jovem, podia ser-lhe útil. Por isto Maria vai à sua casa e permanece com ela cerca de três meses, para lhe oferecer aquela proximidade afectuosa, aquela ajuda concreta e todos aqueles serviços quotidianos de que tinha necessidade. Isabel torna-se assim o símbolo de tantas pessoas idosas e doentes, aliás, de todas as pessoas necessitadas de ajuda e de amor. E quantos existem também hoje nas nossas famílias, nas nossas comunidades, nas nossas cidades! E Maria – que se tinha definido «a serva do Senhor» (Lc 1, 38) – faz-se serva  dos  homens.  Mais  precisamente,  serve  o  Senhor que encontra nos irmãos.

A caridade de Maria, contudo, não se detém na ajuda concreta, mas alcança o seu ápice ao doar o próprio Jesus, ao «fazê-lo encontrar». É ainda São Lucas quem o ressalta: «Ao ouvir Isabel a saudação de Maria, o menino saltou-lhe de alegria no seio» (Lc 1, 41). Estamos assim no coração e no ápice da missão evangelizadora. Chegamos ao significado mais verdadeiro e à finalidade mais genuína de qualquer caminho missionário: doar aos homens o Evangelho vivente e pessoal, que é o próprio Senhor Jesus. E a de Jesus é uma comunicação e uma doação que – como afirma Isabel – enche o coração de alegria: «Pois logo que chegou aos meus ouvidos a tua saudação, o menino  saltou de alegria no meu seio» (Lc 1, 44). Jesus é o verdadeiro e único tesouro que temos para dar à humanidade. É d'Ele que os homens  e as mulheres do nosso tempo têm profunda saudade, mesmo quando parece que o ignoram  e  rejeitam.  É  d'Ele  que têm grande  necessidade  a  sociedade na qual vivemos, a Europa e o mundo inteiro.

Está confiada a nós esta extraordinária responsabilidade. Vivamo-la com alegria e com empenho, para que a nossa seja deveras uma civilização na qual reinam a verdade, a justiça, a liberdade e o amor, pilares fundamentais e insubstituíveis de uma verdadeira convivência ordenada e pacífica. Vivamos esta responsabilidade permanecendo assíduos na escuta da Palavra de Deus, na união fraterna, na fracção do pão e nas orações (cf. Act 2, 42). Seja esta a graça que  juntos esta tarde pedimos à Virgem Santíssima. A todos vós a minha Bênção.

Edição em papel

 

AO VIVO

Praça De São Pedro

22 de Setembro de 2019

NOTÍCIAS RELACIONADAS