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A Europa e o cristianismo

· Discurso do Papa às delegações da ex-República Jugoslava da Macedónia e da Bulgária para a festa dos santos Cirilo e Metódio ·

«Na aceitação do desígnio salvífico de Deus, os povos podem encontrar os fundamentos sobre os quais edificar uma civilização e uma sociedade impregnadas pelo espírito de reconciliação e de convivência pacífica», disse o Papa aos membros da delegação da ex-República Jugoslava da Macedónia — guiada pelo presidente Gjorge Ivanov, acompanhado da excelentíssima esposa — na audiência realizada a 23 de Maio.

Senhor Presidente

Ilustres Membros do Governo

e Distintas Autoridades

Venerados Irmãos Representantes

da Igreja ortodoxa

e da Igreja católica

Estou particularmente feliz por vos receber e dirigir a cada um a minha cordial saudação, de modo especial ao Senhor Presidente da ex-República Jugoslava da Macedónia. A festa dos Santos Cirilo e Metódio é para todos nós um motivo de alegria. Estes Santos irmãos enviados aos povos eslavos anunciaram o Evangelho no meio de numerosas dificuldades, mas sempre sustentados por uma confiança inabalável no Senhor. Eles foram animados pela paixão de fazer conhecer o Evangelho de Cristo e, por este motivo, prodigalizaram-se para anunciar a doutrina cristã, reunindo-a em livros escritos em língua eslava. Sem dúvida, tratou-se de um acontecimento decisivo para o crescimento e o desenvolvimento da civilização e da cultura eslava em geral. O testemunho e o ensinamento dos Santos Cirilo e Metódio ainda são actuais, quer para aqueles que estão ao serviço do Evangelho, quer para quantos são chamados a governar o destino das Nações.

A vida destes homens foi totalmente dedicada à obra apostólica, e a intuição divina de tornar compreensível e acessível a mensagem da Revelação às populações foi motivo de unidade para diferentes tradições e culturas. Na aceitação do desígnio salvífico de Deus, os povos podem encontrar os fundamentos sobre os quais edificar uma civilização e uma sociedade impregnadas pelo espírito de reconciliação e de convivência pacífica. Não pode existir uma unidade real, sem o respeito pela dignidade de cada pessoa humana e dos seus direitos inalienáveis. Como tinham compreendido perfeitamente os Santos Cirilo e Metódio, o Evangelho de Cristo é capaz de iluminar todos os âmbitos e dimensões da experiência do homem, para a tornar plenamente humana. A Palavra de Deus chama de modo contínuo à conversão do coração, para que cada decisão e escolha sejam purificadas dos interesses egoístas; e é precisamente a partir desta conversão permanente a Deus que será possível fazer nascer uma humanidade renovada.

A vossa peregrinação anual a Roma seja uma ocasião para renovar os vínculos de amizade entre a vossa Nação e a Igreja católica e, ao mesmo tempo, para refortalecer e promover o compromisso pelo bem do vosso país. Invoquemos a intercessão dos Santos Cirilo e Metódio, a fim de que o Senhor possa conceder a sua paz e abençoar as populações da ex-República Jugoslava da Macedónia!

«Para edificar a nova Europa sobre bases sólidas não é suficiente recorrer unicamente aos interesses económicos, mas é necessário contar sobretudo com os valores autênticos, que encontram o seu fundamento na lei moral universal, inscrita no coração de cada homem», afirmou o Sumo Pontífice à delegação da Bulgária — chefiada pela presidente do Parlamento, Tsetska Tsacheva, acompanhada do excelentíssimo esposo — durante a audiência que teve lugar na manhã de 23 de Maio.

Senhora Presidente do Parlamento

Ilustres Membros do Governo

e Distintas Autoridades

Venerados Irmãos

da Igreja ortodoxa

e da Igreja católica

Desejo dirigir a minha deferente saudação à Delegação oficial da Bulgária — guiada pela Senhora Presidente do Parlamento — vinda a Roma, segundo a tradição, no contexto da festividade litúrgica dos Santos Cirilo e Metódio. Este encontro agradável, que se renova também no corrente ano, oferece-me a oportunidade de reiterar a relevância espiritual e cultural destes dois ilustres e beneméritos pioneiros da evangelização da Europa, cujas figuras são honradas tanto no Oriente como no Ocidente. Graças à sua corajosa pregação pelas estradas do Continente, eles favoreceram uma vasta renovação espiritual e lançaram as bases para uma autêntica promoção da liberdade e da unidade da Europa cristã. Cirilo e Metódio foram «evangelhos vivos» e sinais eloquentes da bondade do Senhor, por este motivo o seu testemunho alcançou mais facilmente os homens da sua época.

Aos povos europeus, que nestes anos se abrem a novas perspectivas de cooperação, estes dois grandes Santos recordam que a sua unidade será mais sólida, se estiver fundada nas comuns raízes cristãs. Com efeito, na complexa história da Europa, o Cristianismo representa um elemento central e qualificador. A fé cristã plasmou a cultura do velho Continente, entrelaçando-se de modo indissolúvel com a sua história, a tal ponto que ela não seria compreensível se não fizesse referência às vicissitudes que caracterizaram primeiro o grande período da evangelização e, depois, os longos séculos em que o Cristianismo desempenhou um papel cada vez mais relevante.

E, então, é importante que a Europa cresça também na sua dimensão espiritual, no sulco da sua melhor história. A unidade do Continente, que está progressivamente amadurecendo nas consciências e que se vai definindo também na vertente política, representa uma perspectiva de grande esperança. Os europeus são chamados a comprometer-se para criar as condições de uma profunda coesão e de uma colaboração concreta entre os povos. Para edificar a nova Europa sobre bases sólidas não é suficiente recorrer unicamente aos interesses económicos, mas é necessário contar sobretudo com os valores autênticos, que encontram o seu fundamento na lei moral universal, inscrita no coração de cada homem.

Formulo votos de coração, a fim de que a herança moral e cultural dos Santos Cirilo e Metódio alimente sempre em cada um de vós o desejo de valorizar o património espiritual das vossas terras e, ao mesmo tempo, o da abertura e da comunhão, no respeito recíproco. Possa este nosso encontro ser motivo de ulteriores relações na fraternidade e na solidariedade. O Senhor abençoe o vosso amado país e todos os seus cidadãos.

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23 de Setembro de 2019

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