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A caridade é o distintivo do cristão

· No Angelus o Sumo Pontífice recordou o Dia mundial dos doentes de lepra e rezou pela paz na Terra Santa ·

Apelo a fazer o possível para tutelar os postos de trabalho ameaçados pela crise

A caridade é «o distintivo do cristão» e «a síntese de toda a sua vida», recordou o Papa durante o Angelus de domingo, 31 de Janeiro, com os fiéis na Praça de São Pedro.

Queridos irmãos e irmãs!

Na liturgia deste domingo lê-se uma das páginas mais belas do Novo Testamento e de toda a Bíblia: o chamado «hino à caridade» do apóstolo Paulo (cf. 1 Cor 12, 31-13, 13). Na sua primeira Carta aos Coríntios, depois de ter explicado, com a imagem do corpo, que os diversos dons do Espírito Santo concorrem para o bem da única Igreja, Paulo mostra o «caminho» da perfeição. Este – diz – não consiste em possuir qualidades excepcionais: falar línguas novas, conhecer todos os mistérios, ter uma fé prodigiosa ou fazer gestos heróicos. Ao contrário, consiste na caridade – ágape – ou seja, no amor autêntico, o que Deus nos revelou em Jesus Cristo. A caridade é o dom «maior», que dá valor a todos os outros, mas «não se ufana, não se ensoberbece», mas «rejubila-se com a verdade» e com o bem do próXImo. Quem ama verdadeiramente «não procura o próprio interesse», «não se irrita», «tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta» (cf. 1 Cor 13, 4-7). No final, quando nos encontrarmos face a face com Deus, os outros dons faltarão; o único que permanecerá eternamente será a caridade, porque Deus é amor e nós seremos semelhantes a Ele, em comunhão perfeita com Ele.

Entrementes, enquanto estamos neste mundo, a caridade é o distintivo do cristão. É a síntese de toda a sua vida: daquilo em que crê e do que faz. Por isso, no início do meu pontificado, quis dedicar a minha primeira Encíclica precisamente ao tema do amor: Deus caritas est. Como recordareis, esta Encíclica compõe-se de duas partes, que correspondem aos dois aspectos da caridade: o seu significado, e depois a sua actuação prática. O amor é a essência do próprio Deus, é o sentido da criação e da história, é a luz que dá bondade e beleza à eXIstência de cada homem. Ao mesmo tempo, o amor é, por assim dizer, o «estilo» de Deus e do homem crente, é o comportamento de quem, respondendo ao amor de Deus, orienta a própria vida como dom de si a Deus e ao próXImo. Em Jesus Cristo estes dois aspectos formam uma unidade perfeita: Ele é o Amor encarnado. Este Amor é-nos revelado plenamente em Cristo crucificado. Fixando o olhar n'Ele, podemos confessar com o apóstolo João: «Nós reconhecemos o amor que Deus nos tem e acreditamos nele» (cf. 1 Jo 4, 16; Enc. Deus caritas est, 1).

Queridos amigos, se pensarmos nos Santos, reconheceremos a variedade dos seus dons espirituais, e também das suas características humanas. Mas a vida de cada um deles é um hino à caridade, um cântico vivo ao amor de Deus! Hoje, 31 de Janeiro, recordamos em particular São João Bosco, fundador da Família salesiana e padroeiro dos jovens. Neste Ano sacerdotal gostaria de invocar a sua intercessão para que os sacerdotes sejam sempre educadores e pais dos jovens; e para que, experimentando esta caridade pastoral, muitos jovens acolham a chamada a dar a vida por Cristo e pelo Evangelho. Maria AuXIliadora, modelo de caridade, nos obtenha estas graças.

Uma oração pela Terra Santa e um apelo pela tutela dos postos de trabalho ressoaram no final do Angelus. O Papa saudou também os jovens da Acção Católica de Roma.

O último domingo de Janeiro é o Dia mundial dos doentes de lepra. O pensamento dirige-se espontaneamente ao Padre Damião de Veuster, que deu a vida por estes irmãos e irmãs, e que no passado mês de Outubro proclamei santo. À sua celeste protecção confio todas as pessoas que infelizmente ainda hoje sofrem devido a esta doença, assim como os agentes de saúde e os voluntários que se prodigalizam para que possa eXIstir um mundo sem a lepra. Saúdo em particular a Associação italiana «Amigos de Raoul Follereau».

Hoje celebra-se também a segunda Jornada de Intercessão pela Paz na Terra Santa. Em comunhão com o Patriarca Latino de Jerusalém e com o Guardião da Terra Santa, uno-me espiritualmente à oração de tantos cristãos de todas as partes do mundo, e saúdo de coração quantos estão aqui reunidos para esta circunstância.

A crise económica está a causar a perda de numerosos postos de trabalho, e esta situação eXIge grande sentido de responsabilidade da parte de todos: empresários, trabalhadores e governantes. Penso em algumas realidades difíceis na Itália, como, por exemplo, Termini Imerese e Portovesme; associo-me portanto ao apelo da Conferência Episcopal Italiana, que encorajou a fazer o possível para tutelar e aumentar o número de empregos, garantindo um trabalho digno e adequado ao sustento das famílias.

Trazem-nos uma mensagem de paz também os jovens da Acção Católica de Roma. Ao meu lado estão dois deles, que saúdo juntamente com todos os outros que se encontram na Praça, acompanhados pelo Cardeal Vigário, pelos familiares e educadores. Queridos jovens, agradeço-vos porque, com a vossa «Caravana da paz» e com o símbolo das pombas que daqui a pouco soltaremos em voo, transmitis a todos um sinal de esperança. Ouçamos agora a mensagem que preparastes.

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Praça De São Pedro

23 de Setembro de 2019

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