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A autonomia de «L'Osservatore Romano»

· O cardeal Pacelli e a reconstrução histórica das posições da Santa Sé durante a guerra civil na Espanha ·

«A Secretaria de Estado não pode ser  considerada responsável pelo que publicam os jornais que não são órgãos da Santa Sé e nem por quanto publica «L'Osservatore Romano» na parte não oficial». Esta frase foi tirada da carta de 28 de Novembro de 1936, com a qual o cardeal Eugenio Pacelli respondia ao marquês de Magaz, agente oficioso da Espanha  chamada nacional, que se lamentava da atitude da Secretaria de Estado em relação à sua pessoa e à sua missão diplomática (Assuntos Eclesiásticos Extraordinários, Espanha 892, fascículo 274, ff. 77-79).

Magaz chegou a Roma no início de Setembro com a finalidade de obter do Vaticano o reconhecimento oficial da Junta Técnica, formada por um grupo de militares, autores da sublevação de 18 de Julho. Nos seus encontros frequentes com Pacelli e com o secretário da Sagrada Congregação para os Assuntos Eclesiásticos Extraordinários, monsenhor Pizzardo, Magaz deplorou com vigor o facto de que a Santa Sé não reconhecesse oficialmente o Governo nacional.

Numa carta dirigida a Pacelli no dia 19 de Novembro de 1936, escreveu: «Quando tive a alta honra de ser nomeado pela Junta de Defesa Nacional da Espanha – com sede em Burgos e que então  representava o movimento de reacção contra o avanço marxista – o seu agente oficioso junto da Santa Sé,  pude encontrar em Roma o generoso acolhimento, a amável compreensão, o amor pela Espanha católica e o desejo de manter  com o seu Governo as relações mais estreitas e cordiais que eu recordasse daqueles quatro anos nos quais, sem maiores méritos dos que os actuais, tive a honra de representar, como Embaixador junto da Santa Sé, Sua Majestade o Rei da Espanha. Acreditei também que tinha encontrado o amor do Pai pelo filho pródigo, o reconhecimento de uma Igreja perseguida e prostrada pelo seu libertador. Nada tenho a objectar sobre o acolhimento amável que, pessoalmente, me reservou a Secretaria de Estado, com a sua tradicional e distinta cortesia; mas não transcorreram muitos dias sem que começasse a duvidar do resultado da minha missão, que consistia e se sintetizava no reconhecimento do meu Governo e no restabelecimento das relações oficiais. Com efeito, pude convencer-me de que o Vaticano – sem dúvida ofuscado pelas tendências sociais democráticas e separatistas dos seus jornais oficiosos e de outros semelhantes, em Roma e na Espanha, e dos relatórios que dali recebia das pessoas contagiadas por essas tendências  –   desconhecia absolutamente por um lado o pensamento e o espírito do movimento chefiado pelo General Franco e o poder irresistível das suas massas e, por outro, a completa irrealidade do Governo diante da frente popular que se definia legítima e que na verdade era dominada e subjugada por uma onda demagógica movida e dirigida por Moscovo».

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19 de Setembro de 2019

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