Nota

Este site utiliza cookies...
Os cookies são pequenos arquivos de texto que ajudam a melhorar a sua experiência de navegação no nosso site. Ao navegar em qualquer parte deste site você autoriza a utilização dos cookies. Poderá encontrar maiores informações sobre a policy dos cookies nas Condições de utilização.

A alegria da fé

· Uma mensagem esquecida pela mídia ·

Na lógica das agências informativas, as notícias e as opiniões sucedem-se  com tanta rapidez  que se corre o risco, pela presumível maior relevância de outros eventos, que  mensagens ou factos verdadeiramente importantes, embora não urgentes, passem despercebidos.

Foi quanto aconteceu nalguns âmbitos com a Mensagem do Papa para a XXVII Jornada Mundial da Juventude de 2012, que com o título paulino «Alegrai-vos sempre  no Senhor!» ( Filipenses, 4, 4), é dedicada à reflexão sobre esta grande virtude da alegria («L'Osservatore Romano», ed. portuguesa de 31/03!12, pp. 10-11).

É um texto bonito, estimulante e cheio de sentido positivo, que recorda outro documento, também maravilhoso, sobre o mesmo tema, Gaudete in Domino, do Papa Paulo VI.

Esta oportuna reflexão de Bento XVI pressupõe uma chamada à superação da consideração comum, por quanto contraditória e falsa, que as realidades espirituais são maçadoras ou até envolvidas – como as velhas cartas listradas a luto – por uma mistura de seriedade e tristeza, e contribui para desfazer a falsa imagem da Igreja, difundida de modo interessado por alguns, como algo anacrónico, que se limita a condenar e que diz sempre «não» a qualquer proposta humana.

O Papa, com o rigor intelectual e, ao mesmo tempo, com a simplicidade expositiva que o caracterizam, na sua mensagem, dirigida antes de tudo aos jovens, analisa a dimensão humana e sobrenatural da alegria, acompanhando o seu ensinamento com importantes referências bíblicas e teológicas e com um sentido comum  grande e positivo.

«O nosso coração é feito para a alegria», «Deus é a fonte da alegria verdadeira», «Conservar no coração a alegria cristã», «A alegria do amor», «A alegria da conversão», «A alegria nas provações», «Testemunhas da alegria», são os títulos significativos das várias partes desta mensagem, na qual Bento XVI – grande conhecedor da natureza humana, criada e amada por Deus e capaz d'Ele, assim como dos desejos mais profundos de felicidade que todas as pessoas alimentam no próprio coração – orienta-nos para Deus como meta suprema, que no seu Filho Jesus Cristo já  nos tornou participantes do seu amor pleno, e que incorpora na sua beleza, bondade e verdade, as esperanças e  as alegrias nobres deste mundo que o antecipam.

Esta mensagem é, além da reivindicação de um sinal irrenunciável da fé cristã como a alegria, um impulso eficaz e oportuno para superar as dificuldades e o desânimo com os quais a actual crise económica e dos valores ameaçam a sociedade e, sobretudo, os mais jovens, e para nos dar  motivos para vencer as tentações do pessimismo e os substitutos enganadores da felicidade.

Ao aceitar este convite do Papa, nós cristãos faremos bem em proclamar ainda mais a alegria como nosso património, e a mostrar que a experiência da fé não nos pode privar do bom humor –  ao contrário – e ainda menos da alegria das realidades humanas nobres, entre as quais se encontram as que o Santo Padre denomina «alegrias simples», autênticos dons de Deus: «a alegria de viver, a alegria diante da beleza da natureza, a alegria de um trabalho bem feito, a alegria do serviço, a alegria do amor sincero e puro... os bons momentos da vida familiar, a amizade compartilhada, a descoberta das próprias capacidades pessoais e o alcance de bons resultados, o apreço da parte dos outros, a possibilidade de se expressar e ser compreendido, a sensação de ser útil ao próximo. E depois a aquisição de novos conhecimentos...».

O cristão poderia aperfeiçoar estas alegrias, sublimá-las com a fé na ressurreição de Cristo, para a qual somos chamados como suprema felicidade e que neste tempo pascal celebramos jubilosos, mas nunca as pode excluir do caminho cristão, se quiser permanecer tal.

Não se trata de um optimismo ideológico, baseado no sucesso de um projecto simplesmente terreno que evita as dificuldades – a cruz!  – no caminho do homem e que neste momento da história se mostrou inútil e trágico, porque desumano, nas ideologias que o apoiaram, mas  trata-se de testemunhar, hoje mais do que nunca na Nova Evangelização, a alegria que nasce da fé e da graça e que tem Deus, sempre próximo, como fundamento, meta e plenitude do ser humano, e que nos ajuda sobretudo quando faltam as possibilidades humanas. Deus ama-nos e quer que sejamos felizes.

Edição em papel

 

AO VIVO

Praça De São Pedro

23 de Setembro de 2019

NOTÍCIAS RELACIONADAS